Nacional
Documentos da CIA são ignorados por ministro
Brasília, DF ? O ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, minimizou ontem a descoberta de registros da Agência Central de Inteligência (CIA) americana, que documentam a participação de agentes do Estado brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros no período da ditadura militar. Questionado sobre qual seria o procedimento do ministério após o governo brasileiro requerer os documentos, Luna disse que este assunto se ?esgotou? e é apenas uma questão de ?historiadores?. ?Para o Ministério da Defesa, esse tema se esgota na Lei da Anistia. A partir daí, é uma atividade para historiadores e, se tiver demanda, para a Justiça. Isso passa a ser assunto de historiadores e Justiça, se houver demanda. Com a Lei da Anistia, do ponto de vista militar, este assunto está encerrado?, disse. A declaração de Luna contradiz a postura do próprio governo. Nesta semana, em visita à China, o chanceler Aloysio Nunes confirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que vai requisitar os documentos ?que ainda não foram publicados?. A medida atende a um pedido feito pelo presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog. Na última sexta-feira, ele enviou carta ao Itamaraty solicitando ajuda para obter junto ao governo norte-americano ?a liberação completa dos registros.