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Ministro admite desvio de recursos do Fome Zero

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Fortaleza - O ministro José Graziano (Segurança Alimentar) afirmou ontem que há desvios no dinheiro repassado pelo governo federal a famílias carentes no programa Fome Zero, via Cartão-Alimentação. Segundo ele, também há casos de aumento nos preços de alimentos vendidos em Guaribas e Acauã, no Piauí, os primeiros municípios a receber os recursos. Os problemas na execução do programa foram identificados em pesquisas feitas com famílias beneficiadas nas duas cidades. ?Tenho encontrado uma roda meio quadrada em alguns lugares?, disse Graziano, ontem, em Fortaleza, onde participou do lançamento do programa em 12 municípios do Ceará. A divulgação dos resultados da pesquisa não estava prevista. Ela foi feita em uma entrevista dada na Ceasa (central de abastecimento) local). O uso indevido dos R$ 50 dados a cada família beneficiada pelo Fome Zero, segundo Graziano, foi percebido principalmente entre as famílias em que o Cartão-Alimentação está no nome do pai, do homem da casa. Machismo ?Em certos lugares, onde a atitude machista predomina, o dinheiro passa a ser usado indevidamente. O homem toma o dinheiro, não o repassa para a mulher e compra coisas sem uma comprovação?, disse o ministro. ?Principalmente em caso de alcoolismo, de degeneração da família, é a mulher que garante a compra dos alimentos.? Para evitar que esse problema persista em outros municípios, Graziano afirmou que vai procurar meios legais de manter o cartão apenas no nome da mulher da família. ?Estamos incorporando os ensinamentos de Guaribas para aplicá-los nos próximos comitês gestores?, afirmou. Vaias O ministro foi vaiado e hostilizado, durante um debate sobre o Fome Zero, na Assembléia Legislativa do Ceará, pouco antes do lançamento do programa no Estado. Um grupo de estudantes que acompanhava as discussões das galerias da Casa protestou contra as declarações do ministro, feitas no início de fevereiro em São Paulo, vinculando a migração dos nordestinos à violência nas metrópoles. Quase dois meses depois, ele se desculpou. ?Abaixo a repressão, nordestino não é ladrão?, gritavam ontem os manifestantes.

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