Nacional
Pressionado, governo cria fundo de desenvolvimento
Brasília - Com poderes sobre uma bancada de 150 deputados, fundamentais ao governo para conseguir aprovar a reforma tributária na Câmara, os nove governadores nordestinos foram brindados na última hora pelo Palácio do Planalto com a criação do Fundo de Desenvolvimento Regional, que estará prevista na emenda da reforma tributária. Diante das insatisfações manifestadas pelo grupo sobre os rumos da reforma - que não avançou, por exemplo, na mudança do local de cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que atendesse à reivindicação dos governadores, que acusavam o governo de conduzir a reforma ?ampliando o fosso? entre os Estados ricos e pobres. A cobrança de uma política de desenvolvimento para combater as desigualdades regionais foi insistentemente apresentada por governadores do Norte, Centro-Oeste e, especialmente, Nordeste na última reunião com o presidente. Governadores aliados e de oposição a Lula, como Ronaldo Lessa (PSB), de Alagoas, e Cássio Cunha Lima (PSDB), da Paraíba, protestaram especialmente quando Palocci anunciou na reunião que o grande ganho da reforma tributária com o novo ICMS federalizado seria um aumento de 10% na arrecadação de todos os Estados. A boa nova foi transmitida aos governadores por Palocci, que falou com Lima e Lessa logo cedo. Palocci explicou que o novo Fundo de Desenvolvimento Regional será financiado com verbas federais. O dinheiro sairá da chamada cota-parte do governo federal no IPI e no IR, no montante inicial de 2% do bolo arrecadado com os dois impostos, o que dará cerca de R$ 2,5 bilhões anuais.