Nacional
Governo admite situa��o de descontrole no Rio
Rio de Janeiro - O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, admitiu, ontem, uma situação de descontrole na capital carioca. Ele afirmou que a população não deve cobrar uma solução imediata em relação às constantes manifestações de violência. Segundo Garotinho, a forma como os criminosos têm atuado -jogando bombas ou atirando contra prédios- é uma ?modalidade nova de crime, que precisa ser entendida, enfrentada e vencida?. Garotinho afirmou que é uma ?situação diferenciada?, que foge do controle. O ex-governador do Estado também afirmou que o governo não tem condições de enfrentar a situação de terror na cidade em pouco tempo, e que precisa do apoio da população para combater o crime. ?Não existe solução para a questão da violência no Rio em uma semana, um mês, dois meses. Esta situação é grave e requer humildade e união da população?, afirmou. Segundo o secretário, é necessário que todo mundo reconheça a gravidade da situação. ?A quantidade de armas que os bandidos têm é assustadora?. Em meio a ações atribuídas a traficantes, Garotinho anunciou medidas para diminuir a violência no Rio. Segundo ele, o objetivo é oferecer à polícia capacidade de ?pronta resposta? aos ataques promovidos pelos criminosos. Ao lado do secretário, a quem chamou de governador diversas vezes, o presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP), Jorge da Silva, anunciou os dez tipos de crimes cujas ocorrências devem ser reduzidas até dezembro. A média de queda determinada é de 12%. Os crimes são homicídio (8%), latrocínio (7%), roubo a pedestres (10%), roubo a ônibus (12%), roubo e furto de carros (13%), seqüestro (50%), roubo a comércio (10%), roubo em residência (14%), roubo a banco (5,5%) e roubo de carga (15%). A comparação será feita em relação à média de maio a dezembro de 2002. As análises serão divulgadas trimestralmente. Silva ameaçou com demissão os delegados e comandantes da PM que não consigam diminuir a criminalidade. A partir da semana que vem serão selecionados 30 policiais militares de cada batalhão para integrar o Grupamento de Ações Táticas (GAT), que será um ?miniBope?, Batalhão de Operações Especiais. Em 30 dias os primeiros batalhões já deverão ter o seu GAT. Os outros, em até 90 dias. ?Eles serão treinados com a mesma metodologia do Bope, terão os mesmos equipamentos e serão utilizados nas incursões para evitar balas perdidas, impedindo falta de preparo nas ações da polícia?, declarou Garotinho. De acordo com ele, o Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE) será ampliado. As seis principais delegacias especializadas (Roubos e Furtos de Automóveis, Roubos e Furtos de Cargas, Repressão a Entorpecentes, Homicídios, Seqüestros e Repressão a Armas e Explosivos) deverão funcionar no mesmo prédio. Garotinho não especificou onde ficará o prédio.