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Igreja manter� independ�ncia de Lula, afirma presidente da CNBB
Indaiatuba (SP) ? O cardeal-arcebispo de Salvador, d. Geraldo Majella Agnelo, que assumirá hoje de manhã a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse que a Igreja manterá independência em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Daremos nossa colaboração no que for feito pelo bem comum e faremos uma crítica construtiva no que possa melhorar a atuação do governo em benefício do povo?, afirmou. D. Geraldo substitui o bispo de Pelotas, d. Jayme Chemello, presidente nos últimos cinco anos. A seguir, os principais trechos da entrevista: AE ? Como serão as relações da CNBB com o presidente Lula, depois da reunião com ele em Itaici? D. Geraldo Majella Agnelo ? Nosso relacionamento continuará sendo aquele mesmo modo de agir da CNBB: somos independentes. Não quer dizer que somos contrários ao governo. Daremos toda a nossa colaboração no que for feito para o bem comum. Nossa crítica há de ser construtiva, para colaborar naquilo que possa melhorar o desempenho e atuação do governo em benefício de nosso povo. Mesmo no período do governo militar nós fizemos denúncias. Se éramos atendidos ou não, essa é outra coisa. AE ? Quais são os principais desafios que o País enfrenta neste começo de governo Lula? D. Geraldo ? Fome, miséria, desemprego e violência são alguns desses desafios, como lembrou a declaração divulgada pela assembléia-geral da CNBB no 1.º de maio. A miséria aumentou muito. Há 50 anos não tínhamos miséria como temos hoje. Tínhamos pobreza, uma grande pobreza, mas não miséria. A miséria não é só falta de meios materiais para sobreviver, é também a perda de valores morais e humanos. A miséria e a falta de emprego contribuem para a violência. AE ? O senhor chegou a Itaici como candidato de consenso para a presidência da CNBB. Só ganhou na terceira votação. A visita de Lula, amigo do cardeal d. Cláudio Hummes, de São Paulo, atrasou sua eleição? D. Geraldo ? Quem sabe? Não atrasou, não. Eu não tinha dúvida de que não seria uma eleição fácil. Esperava que surgissem mais candidatos, como de fato surgiram. Tive boa votação no primeiro e no segundo escrutínios. No terceiro, tive mais de dois terços dos votos. Independentemente de quem fosse eleito, o presidente Lula disse que gostaria de manter contato com a CNBB. AE ? A nova direção da CNBB eleita esta semana em Itaici reflete um perfil mais conservador do episcopado brasileiro? D. Geraldo ? Todo bispo tem de ser, ao mesmo tempo, conservador e progressista. Nós temos de anunciar Jesus Cristo e seu evangelho, e esse evangelho não é fácil. ê difícil, por exemplo, a indissolubilidade do matrimônio. Em coisas assim, temos de ser conservadores. Ocorre a mesma coisa no caso dos preservativos (condenados pela Igreja), porque não é a camisinha que vai resolver o problema da aids. A Igreja não vai mudar sua orientação. Não podemos fazer desconto nenhum nesse ponto. Também nisso, todo bispo é conservador. Quando se trata, porém, de defender a causa do pobre, do miserável, daquele que está sofrendo, mesmo que seja contra o patrão e o governo ? uma causa arrojada ?, todos os bispos são progressistas.