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Padre Cícero recebe perdão do Vaticano
Salvador, BA Para uns ele é santo, milagreiro, defensor dos pobres; para outros, embuste, falso padre, religioso que acumulou fortuna. Uma das figuras mais populares e controversas do Nordeste, padre Cícero Romão Batista (1874-1934) fez história mais uma vez. Suspenso de suas funções de padre em 1889, ele recebeu oficialmente o perdão do Vaticano, que anunciou um processo de reconciliação. O gesto foi anunciado no domingo (13) pelo bispo dom Fernando Panico, da diocese de Crato (CE), que recebeu carta do Vaticano com a decisão do papa Francisco nove anos após ter pedido a reconciliação. É o primeiro processo de reabilitação, de esquecimento do passado que conheço na Igreja. É um caso único, disse Armando Lopes, chanceler da diocese de Crato. Venerado em romarias que atraem mais de 2 milhões de pessoas todo ano até Juazeiro do Norte (CE), padre Cícero foi uma das figuras mais populares do Nordeste no início do século 20. Políticos, cangaceiros, coronéis e lavradores milhares iam pedir bênção ao Padim Pade Ciço, como era conhecido, mesmo após ter sido afastado de suas funções. Carismático, tinha influência sobre a vida social e política na região de Juazeiro do Norte, onde hoje há uma estátua de 27 metros de altura em sua homenagem.