Nacional
Cunha diz que Planalto tenta desviar atenção
Brasília, DF Na primeira entrevista após a busca e apreensão em seus endereços residenciais e de trabalho, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ontem à tarde que não há hipótese de renunciar, acusou o governo de promover a ação por revanchismo e na tentativa de jogar nas costas do PMDB a roubalheira do PT. Cunha cobrou uma decisão imediata de seu partido no sentido de romper com o Palácio do Planalto. O que me estranha é essa concentração no PMDB no dia da votação no Conselho de Ética e na véspera da decisão [do Supremo Tribunal Federal] sobre o impeachment. Todos sabemos que o assalto da Petrobras foi patrocinado pelo PT. A entrevista de Cunha foi dada no Salão Verde da Câmara, logo após almoço com deputados aliados em sua residência oficial. O presidente da Câmara também disse considerar nula a decisão do Conselho de Ética, tomada ontem, de dar continuidade ao seu processo de cassação. Ele disse que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal sob a alegação de cerceamento do direito de defesa. Segundo ele, os deputados do colegiado fizeram o jogo da plateia para encobrir o processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob a acusação de envolvimento no petrolão, Cunha afirmou, excluída a suposta perseguição política a ele e ao PMDB, ter considerado normal a ação policial, dentro do curso de uma investigação, incluindo a apreensão de seu telefone celular. Mais cedo, em almoço com líderes da base aliada, o peemedebista disse que o governo federal agiu com revanchismo por conta do acolhimento do pedido de impeachment contra a presidente Dilma e ameaçou retaliar o Palácio do Planalto em votações futuras na Câmara dos Deputados.