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Mulheres e negros s�o mais discriminados no trabalho
Brasília - Relatório divulgado, ontem, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela o quanto a vida profissional pode ser determinada por questões de gênero ou raça. Independentemente da escolaridade, mulheres e negros têm perspectivas muito mais sombrias na vida profissional do que homens brancos. Seja nos níveis de emprego, seja na remuneração. O suplemento nacional do relatório, A Hora para a Igualdade no Trabalho, conclui que os grupos mais suscetíveis à discriminação no Brasil estão longe de ser minoria. Mulheres e negros representam 55 milhões de pessoas, o correspondente a 68% da População Economicamente Ativa (PEA) brasileira. Pesquisa Os dados brasileiros, colhidos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, mostram que a mulher negra - suscetível tanto à discriminação de raça quanto à de gênero - é a mais prejudicada. Mulheres negras que têm entre 11 e 14 anos de escolaridade, por exemplo, recebem um salário equivalente a 39% do que é ganho por um homem branco com a mesma formação. A responsável pelo relatório global da OIT, Manuela Tomei, explica que as disparidades encontradas no Brasil são piores do que de países como Argentina, Chile e México. Ela atribui o problema ao fato de há pouco tempo o Brasil ter admitido existir discriminação racial. As políticas criadas para reduzir as diferenças ainda não provocaram grande impacto. Especialistas brasileiros apontam, também, a natureza dos dados oferecidos. ?Há algumas áreas, seja no Brasil ou em outros países, que não apresentam números que possam ser avaliados?, afirma o diretor no Brasil da OIT, Armand Pereira. Quando se analisa os níveis de desemprego no País, a desigualdade é bastante evidente. Embora tenha crescido para todos, o desemprego é mais acentuado entre as mulheres. Em 1992, 7,8% das mulheres estavam desempregadas. Porcentagem que passou para 11,7% em 2001. No mesmo período, o índice entre homens passou de 5,2% para 7,4%. A taxa de desemprego feminina em 1992 era 50% superior à masculina em 2001, passou a ser 58% maior.