Nacional
Câmara elege comissão do impeachment

Brasília, DF Três meses e 15 dias depois de deflagrado e após uma longa batalha no Supremo Tribunal Federal, teve início ontem, na Câmara, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Um grupo de 65 deputados foi aprovado à tarde para formar a comissão processante e, horas depois, foram eleitos o presidente e o relator do colegiado. A sessão ainda não havia terminado até o fechamento desta edição. A chapa eleita quase que por unanimidade (433 votos sim e apenas um não) tem perfil mais oposicionista. A oposição e aliados de Cunha escolheram o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), para a presidência do colegiado, e o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), será o relator responsável por elaborar o parecer pelo seguimento ou não do processo. Embora pertençam à base governista, os dois parlamentares também são próximos a Cunha. Da bancada alagoana, foram indicados Marx Beltrão (PMDB), JHC (PSB) e Maurício Quintella (PR), mas só Quintella foi confirmado como titular da comissão. Mesmo sem consenso, o governo concordou com os nomes. Me reúno com tanta gente aqui, com o Cunha, com todos eles, portanto isso não é problema nenhum. Aliás, ele ainda é presidente da Câmara, então não é motivo de restrição nenhuma, afirmou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE). PERFIL Levantamento do jornal O Estado de S.Paulo indica que ao menos 35 dos 65 deputados votam a favor do impeachment. A oposição contabiliza entre 37 e 39 votos favoráveis ao impedimento. Partidos que oficialmente integram a base governista, inclusive ocupando ministérios, também garantem votos contrários a Dilma. É o caso de PMDB, PSD, PP e PR. Juntas, essas legendas têm 21 votos, mas nove devem ser a favor do impedimento da petista. Além de garantir a maioria, a oposição reforçou o pedido de impeachment com um aditamento. O primeiro-secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), foi ao Palácio do Planalto no final da tarde para notificar a presidente.