Nacional
Dilma se despede e diz que cometeu erros, não crimes
Brasília, DF Após receber a notificação de seu afastamento do cargo, Dilma Rousseff fez ontem um pronunciamento a jornalistas em que afirmou que pode ter cometido erros, mas não crimes e que, por isso, está sendo julgada injustamente em um processo que classifica de golpe. Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes. Estou sendo julgada injustamente por ter feito tudo o que a lei me autorizava a fazer, disse Dilma. Sofro agora a dor inominável da injustiça, completou a petista emocionada. Jamais desistirei de lutar. Já sofri a dor invisível da tortura, a dor afetiva da doença e agora sofro mais uma vez a dor igualmente inominável da injustiça. O que mais dói neste momento é a injustiça. É perceber que sou vítima de uma farsa jurídica e política, disse Dilma. Posso olhar para mim e ver a face de alguém, que mesmo marcada pelo tempo, ainda tem força por lutar por suas crenças e direitos, completou. ALIADOS Acompanhada de ministros, governadores e parlamentares do PT e da base aliada, Dilma disse ainda que a decisão do Senado em suspender seu mandato por até 180 dias trazia riscos ao País. A presidente agora afastada disse que o impeachment é fraudulento e que seu governo foi alvo de intensa e incessante sabotagem. A petista repetiu o discurso de que foi eleita por 54 milhões de brasileiros e que a oposição, segundo ela, inconformada com a derrota, passou a conspirar contra o seu mandato impedindo a recuperação da economia e para tomar à força o que não conquistaram nas urnas. Dilma repetiu que vai lutar até o fim para tentar recuperar seu mandato e governar até o último dia de 2018. Ela fez também um chamado a seus apoiadores e disse que a luta pela democracia não tem data para terminar. Nós vamos vencer. Dilma chegou às 9h48 ao Palácio do Planalto. Pouco depois das 10h, foi notificada sobre seu afastamento do cargo por até 180 dias para que se inicie seu julgamento por crime de responsabilidade.