Nacional
Lava Jato leva Cunha à prisão
São Paulo, SP O ex-deputado Eduardo Cunha foi preso em Brasília, ontem, pela Polícia Federal. A polícia também esteve em sua casa na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. A prisão e a busca foram autorizadas pelo juiz federal Sérgio Moro na terça-feira (18), que passou a tratar do caso do ex-parlamentar depois que ele perdeu o foro privilegiado com a cassação de seu mandato. Moro pediu a prisão do ex-deputado afirmando que sua liberdade representava risco à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro), afirma em nota a Justiça Federal do Paraná. Enquanto não houver rastreamento completo do dinheiro e a total identificação de sua localização atual, há um risco de dissipação do produto do crime, o que inviabilizará a sua recuperação. Enquanto não afastado o risco de dissipação do produto do crime, presente igualmente um risco maior de fuga ao exterior, uma vez que o acusado poderia se valer de recursos ilícitos ali mantidos para facilitar fuga e refúgio no exterior, afirmou o juiz Sérgio Moro na decisão. Moro ainda destacou o suposto caráter serial dos crimes de corrupção cometidos por Cunha, investigado em mais de um inquérito na Lava Jato, o que caracterizaria risco à ordem pública. A Procuradoria listou, ainda, fatos que evidenciaram a disposição de Eduardo Cunha de atrapalhar as investigações. Entre eles, estão requerimentos feitos pelo então deputado ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Câmara sobre empresas e advogados ligados a delatores da Lava Jato, como Júlio Camargo, a empreiteira Schahin e Alberto Youssef, além de tentativas de impedir sua cassação pela Câmara.