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Brasil � um dos maiores consumidores de maconha
São Paulo ? Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que o brasileiro está entre os maiores consumidores de maconha do mundo. Os meninos de rua são os que mais experimentam. Outra pesquisa feita com universitários, em São Paulo, revelou que 26% já usaram maconha. No caso dos estudantes do 1º e 2º graus, 4% admitiram terem experimentado maconha pelo menos uma vez. Um levantamento da Polícia Federal indica que o Brasil é o principal comprador da maconha produzida no Paraguai, um dos maiores produtores do mundo. Num trabalho preparado sobre a maconha, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revela que a droga provoca dependência e causa danos à saúde. ?A pessoa sente insônia, náusea, dores musculares, ansiedade, inquietação, suor, diarréia, falta de apetite e vontade intensa de usar a droga?, diz Laranjeira. Para abordar temas sobre a maconha ? que é a droga mais usada no mundo ?, como inovações e dificuldades no tratamento de consumidores e as alterações físicas, a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), da Unifesp, vai reunir amanhã (16), em São Paulo, Laranjeira e outros seis maiores especialistas brasileiros no assunto. O professor Robert Stephens, da Virginia Polytechnic Institute and State University, dos Estados Unidos, também vai participar. Sociólogo e pós-doutorado em dependência pela University of Washington ? ele escreveu artigos sobre tratamento da maconha e vai falar sobre o Marijuana Treatment Project (MTP), um estudo americano multicêntrico para testar a efetividade de tratamentos breves para usuários da droga. Stephens é o criador da escola para problemas com a maconha. Vinculada ao Departamento de Psiquiatria da Unifesp, a Uniad criou em 2000, o primeiro ambulatório destinado aos dependentes de maconha, separado do atendimento prestado aos dependentes de cocaína e álcool. A coordenadora do ambulatório, Flávia Jungerman, que também participará do evento, disse que a separação no atendimento é importante porque cada grupo passa por um tipo de complicação social diferente. ?Dificilmente um dependente de maconha vai roubar um carro para comprar a droga, como é comum acontecer com dependentes de cocaína.? De acordo com ela, o consumidor de maconha vai mal na escola, não consegue trabalhar e tem dificuldade de concentração. O ambulatório da Uniad, específico para dependentes de maconha, atendeu desde a inauguração mais de 300 pacientes. Uma análise da mudança do perfil do consumidor desse tipo de entorpecente constatou que há menos jovens se envolvendo e o uso da droga é mais longo e intenso. Revelou ainda que para muitos não foi o primeiro tratamento. Mais da metade dos atendidos usava maconha havia mais de cinco anos. Outra constatação foi que, entre os atendidos, uma grande parte usou outro tipo de droga e o consumo de álcool é freqüente.