Nacional
Forte concorrente, cardeal foge de temas polêmicos
Agência folha Apontado como um dos candidatos à sucessão de João Paulo II, o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, evitou ontem temas polêmicos - como o impacto de suas recentes declarações no Vaticano -, mas reconheceu que é grande a ansiedade para o Conclave (escolha do futuro papa). Todos ficam numa expectativa muito grande, todos nós. A responsabilidade é tão grande que a gente se coloca diante de Deus mesmo. Não há outra coisa a fazer. Embora a afirmação insinue um desejo de ser o novo papa, dom Cláudio se recusou a comentar a hipótese de suceder a João Paulo II. Ontem, ele visitou dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo. A dom Cláudio, dom Paulo falou da experiência de ter passado por dois Conclaves (em 1978, para a eleição de João Paulo I e II). Falamos do que vai acontecer, do Conclave, claro, disse dom Cláudio, acrescentando que conversaram sobre o espírito da reunião, da metodologia. Segundo ele, dom Paulo recomendou muita oração: Disse que devemos rezar muito. Dom Cláudio embarca hoje para o Vaticano, onde participará da eleição do futuro papa. É pouco comum, claro. Acredito que será uma coisa forte, muito impressionante??. A gripe não parece ter sido a única causa da moderação de dom Cláudio. Comedido, dom Cláudio foi objeto de reportagens no exterior, segundo as quais teria precipitado o processo sucessório ao traçar o perfil ideal do novo papa. De acordo com o arcebispo, cada papa cumpre uma missão dentro de um momento histórico, a humanidade anda e o mundo já exige uma diferenciação??. E não se pode querer uma simples continuidade. Para ele, este é um mundo de ebulição??, e não é possível dar respostas antigas perguntas novas, diz dom Cláudio, referindo-se especificamente aos avanços da biotecnologia. Entre os atributos deste novo papa, diz, está exatamente o de manter o diálogo constante com a ciência, desde que se levando em conta que a ética deve presidir o avanço científico. A igreja sempre vai dizer que não se pode matar. O que significa isso no concreto da vida, a cada dia, a igreja deve aprofundar. Ainda segundo dom Cláudio, este novo mundo é o de pluralismo democrático, um produto da globalização. Mais do que conviver com outras religiões, é preciso combater a perda de fiéis. Nós não estamos questionando as outras religiões. Estamos questionando a nós mesmos: o que não conseguimos fazer, por quê? E o que devemos fazer para reavivar a fé no coração dos nossos católicos?, pergunta. Muito procurado também pela imprensa estrangeira, falou até sobre possíveis limitações do futuro papa em comparação a João Paulo II no domínio de línguas estrangeiras. Dom Cláudio, que deu entrevistas em francês e alemão, mas não em inglês, disse que considerava um gesto de carinho de João Paulo II o esforço para falar a língua dos países que visitava. Suas declarações ecoaram pelo mundo e foram recebidas como o início de uma disputa.