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Testamento: papa não deixou nada escrito
Eram 8h34 de ontem, em Brasília. Um despacho de três linhas da France Presse informava que, segundo Joaquín Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano, o João Paulo II não deixou testamento. A informação pôs fim a 36 horas de rumores sobre a existência de um documento pelo qual o papa endereçaria aos católicos sua última mensagem, distribuiria os poucos bens que eventualmente tivesse ou indicaria a vontade de ser enterrado na Polônia. Os papas podem deixar testamento. Paulo VI, que morreu em 1978, redigira o seu já em 1965. Pelo texto, repleto de maneirismos de linguagem, ele legou sua parcela na herança familiar para os dois irmãos, determinou que os objetos pessoais fossem distribuídos a auxiliares e exigiu a incineração de suas agendas e correspondência pessoal. Também pediu que nenhum monumento enfeitasse seu túmulo. Bem mais antigo é o caso de Deodato I, papa entre 615 e 618, que deixou como testamento a abertura dos cofres da igreja e a distribuição de dinheiro aos flagelados de Roma, que durante seu curto pontificado de três anos sofreram os efeitos de uma peste e de um destruidor terremoto. Agora, com João Paulo II, e se fosse o caso, a existência de documento semelhante teria sido domingo revelada pelo camerlengo aos cardeais que participaram da primeira congregação geral. A congregação se reuniu por duas horas e meia. Não havia testamento do papa.