Nacional
Tato revela consórcio e incrimina fazendeiros
Agência Folha São Paulo Em duas acareações separadas, Amair Feijoli da Cunha, o Tato, apontou ontem os fazendeiros Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, e Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, como os mandantes do assassinato da missionária americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em fevereiro, na cidade de Anapu (oeste do Pará). Preso desde o dia 19 de fevereiro, acusado de ser o intermediário do crime, Tato decidiu chamar a Promotoria para revelar como foi firmado o consórcio e, pela primeira vez, admitiu ter sido o intermediário do crime, o que sempre havia negado. Segundo o promotor Lauro Freitas Junior, de Pacajá, Tato se sentiu sozinho, sem apoio do advogado e relatou que sua mulher, Elizabeth da Cunha, estava sendo ameaçada por familiares de Bida, preso desde 27 de março. No novo depoimento ao Ministério Público estadual e à polícia, Tato apontou a parceria entre Bida e Galvão para matar a missionária. Na ocasião, disse que ouvia dos fazendeiros que a freira incomodava com suas freqüentes denúncias ao Ibama e à Procuradoria da República. Tato também confessou ter contratado, a mando dos fazendeiros, Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, e Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, para matar a freira. Fogoió confessou ser o autor dos disparos. Ambos estão presos. Ontem, a polícia colocou Tato e Galvão frente a frente numa acareação no presídio Americano 3, em Santa Izabel (100 km de Belém). Em seguida, Tato foi levado à sede da PF para nova acareação, desta vez com Bida. Tanto Bida quanto Galvão negaram envolvimento no caso. O delegado da Polícia Federal Ualame Machado disse considerar o crime elucidado. É difícil inventar uma versão para se auto-incriminar. O depoimento do Tato foi coerente e firme, não é uma versão, afirmou. Galvão foi preso temporariamente, esta semana, após prestar depoimento à PF. A prisão expira em 30 dias, mas o MP informou que o período pode ser prorrogado por mais 30 dias.