loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

CPI dos Correios é instalada, mas empaca

Ouvir
Compartilhar

FOLHAPRESS Brasília A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios foi instalada ontem, mas a tentativa do governo de assumir os postos-chave - presidência e relatoria - e assegurar o controle sobre seus trabalhos, tumultuou a primeira sessão da comissão, que terminou em impasse. A falta de acordo não permitiu a escolha do relator e do presidente. A oposição resiste em ceder à manobra governista. Isso significa pizza por antecipação??, reclamou José Agripino Maia (RN), líder do PFL no Senado. Mesmo tendo maioria na comissão, 19 contra 13, o governo mais uma vez não teve segurança em colocar em votação os seus nomes e a definição sobre presidente e relator ficou para a terça-feira, dia marcado para o depoimento de Roberto Jefferson (PTB-RJ) -pivô da atual crise- no Conselho de Ética da Câmara. O relator vai ser o Roberto Jefferson??, ironizou Efraim Morais (PFL-PB) diante do impasse. Pela tradição do Congresso, as vagas de presidente e relator cabem às maiores bancada da Câmara (o PT) e do Senado (o bloco PSDB/PFL). Os governistas queriam escolher um nome domesticável da oposição para ocupar a presidência da CPI, o que não foi aceito por tucanos e pefelistas. A oposição não abria mão de indicar o senador César Borges (PFL-BA) para um dos postos-chave. O problema é que ele não foi aceito pelo temor de que a comissão acabasse sendo controlada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). A base governista, que chegou a oferecer três outros nomes oposicionistas. Durante o dia, o líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), apresentou o nome do senador Edison Lobão (PFL-MA), que é do grupo do senador José Sarney (PMDB-AP). Além de ser aliado do governo, Lobão possuía duas diretorias do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), que eram acumuladas por Carlos Murilo Goulart Barbosa Lima. Ele foi afastado junto com os demais diretores nesta semana. Mercadante também tentou emplacar Sarney ou sua filha, a senadora Roseana Sarney (PFL-MA), mas eles não aceitaram a incumbência. Espetacularização e estrelismo seriam danosos à oposição. Apelo para fazermos a coisa com confiança mútua??, defendeu Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, que classificou a tentativa do governo de tratoramento da maioria??. Tanto o governo quanto a oposição se acusavam de intransigência. Não conseguiremos construir acordo em torno de nomes se não houver diálogo??, disse Mercadante. Negociações à parte, o senador atraiu, durante a sessão, apupos e coros de deboche de deputados quando fez referências a supostas práticas mais civilizadas do Senado em relação à Câmara. Citou várias vezes a cultura do Senado??, que seria diferente por apoiar-se em acordos. Com o impasse, o senador Jefferson Péres (PDT-AM), que presidia a sessão por ser o parlamentar mais idoso, suspendeu os trabalhos por uma hora. O líder do PMDB, Ney Suassuna (PB), queria ir para o voto, mas o líder do PT, Delcídio Amaral (MS), preferiu adiar para terça. Suspendo a sessão para que nas próximas 72 horas possa acabar essa marcha da insensatez??, disse Péres. No caso de não haver acordo até lá, a expectativa do governo é eleger Delcídio Amaral para a presidência e o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a relatoria. ### Jefferson será ouvido na próxima terça O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados anunciou ontem que irá ouvir Roberto Jefferson (RJ), presidente nacional do PTB, na terça-feira à tarde em sessão aberta. Com isso, serão dois os depoimentos do deputado à Câmara, em dois dias, já que o petebista será ouvido na quarta-feira pela Corregedoria da Casa, em caráter sigiloso. Responsável pela acusação de que o PT pagaria mensalidade de R$ 30 mil a deputados em troca de apoio, Jefferson sofre duas investigações na Câmara, uma da Corregedoria e outra do Conselho de Ética, que pode dar parecer pela cassação de seu mandato. Ontem, o deputado Léo Alcântara (PSDB-CE) pediu para ser excluído da comissão de sindicância da Corregedoria que investiga o caso sem dizer os motivos. O Conselho fez ontem sua primeira reunião e decidiu que após a fala do presidente do PTB - que já afirmou por escrito que confirmará suas acusações - serão votados os requerimentos apresentados para que sejam ouvidos várias pessoas citadas no caso, como os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional) e Aldo Rebelo (Coordenação Política), que teriam sido avisados do suposto esquema, e o secretário de Finanças do PT, Delúbio Soares, acusado de pagar o mensalão??. Para que ele [Jefferson] tenha respaldo a seu favor, é necessário que ele apresente elementos comprobatórios do que ele diz??, afirmou o relator do processo, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA). Na sessão de ontem, o deputado Edmar Moreira (PL-MG) defendeu Jefferson afirmando acreditar que o petebista tem provas do que disse. Com certeza, ele tem provas, se não as tem, sabe dos fatos e vai dar nomes. Quem sabe ele não está prestando um grande serviço à nação com esse gesto de muito desprendimento e de muita coragem??, disse o deputado, que pertence a um dos partidos acusados de receber a mesada, o PL. Também na sessão, os deputados argumentaram ser inócua a investigação da Corregedoria sobre o mesmo assunto e decidiram pedir ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que suspendesse essa apuração. Severino negou. ### Radicais querem romper com aliados Deputados federais da alas radicais?? do PT, além de senadores que se mostram independentes do Planalto, pretendem levar uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana, pedindo rompimento com PL, PTB, PP e PMDB. Tais legendas, que apóiam a gestão Lula e possuem cargos no governo, têm, no entender de petistas dissidentes, perfil de direita e são muitas vezes contaminadas pelo fisiologismo. O governo Lula deve romper com essa governabilidade que tem hoje e montar, baseado nos seus aliados tradicionais de esquerda, que são os que realmente defendem a mudança, e montar uma aliança??, disse o deputado Ivan Valente (SP), um dos autores da idéia. Devem levar a carta 12 deputados que se colocaram a favor da CPI desde seu início, além de senadores como Eduardo Suplicy (SP) e Cristovam Buarque (DF). A carta, que ainda é redigida, terá três pontos: além do rompimento com parte dos aliados, defenderá a mudança na política econômica e a ampliação do diálogo com movimentos sociais. O governo Lula está distante da sua base social??, diz o deputado Chico Alencar (RJ). Os dissidentes estudam pedir a saída do cargo do secretário de Finanças do PT, Delúbio Soares. Confiamos no Delúbio, mas o afastamento seria um procedimento para o período das investigações??, diz Valente. PROTEÇÃO POLICIAL O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), anunciou ontem que seu partido pediu para o governo, por meio da presidência da Câmara, garantir proteção policial ao deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). É preciso garantir a integridade do deputado, já que em seus próximos depoimentos ele deve repetir o que falou à imprensa e pode trazer ainda novas denúncias, justificou o líder pefelista. Roberto Jefferson, em entrevista à Folha de S.Paulo, na segunda-feira, denunciou um esquema de mesada que estaria sendo paga pelo governo, para deputados da base aliada, em especial do PP e do PL, para que estes votassem de acordo com as determinações do Planalto. O pagamento do mensalão seria feito pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que em entrevista coletiva na quarta, em São Paulo, negou ter conhecimento ou tomar parte do esquema. Desde que deu a entrevista, Jefferson está recluso em seu apartamento em Brasília e só recebe a visita de alguns amigos e correligionários. Ação criminal O presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), entrou ontem com ação criminal no Supremo Tribunal Federal contra o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). A ação acusa o petebista de calúnia e difamação.

Relacionadas