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Dilma afirma que será facilitadora na Casa Civil

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PATRÍCIA ZIMMERMANN ANA PAULA RIBEIRO Folha Online A nova ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, assumiu ontem o cargo com a promessa de trabalhar como facilitadora e potencializadora dos projetos dos demais ministérios. Apontada como uma solução eminentemente técnica para a Casa Civil, a ministra destacou em seu discurso de posse, ontem, a necessidade de manter no novo posto uma interface com o parlamento. Apesar de ter enfrentado pressões e divergências políticas ainda no Ministério de Minas e Energia, Dilma classificou sua relação com o Congresso como produtiva e apontou a aprovação do novo modelo do setor elétrico como resultado dessa boa relação. Minha função deixa de ser executora de políticas e passa a ser facilitadora e potencializadora do trabalho realizado pelos meus colegas. Acredito na importância da interface com o parlamento, sem a qual não há de fato os princípios da democracia, afirmou. Ela disse que seu novo posto exigirá um relacionamento com a sociedade civil e com os empresários. ### Estarei fazendo política de governo Ao falar da vertente política que a sua atuação na Casa Civil vai exigir, a ministra Dilma Rousseff disse que seria uma simplificação do conceito de política pensar que a gestão, atividade principal da Casa Civil, não deveria que ter conteúdo político. Segundo ela, ao exercer sua nova atividade estará fazendo política de governo, planejamento de governo, política no sentido amplo da palavra, pois gerir é definir prioridades e fazer escolhas com recursos escassos. Já atividade de articulação política, como as negociações de nomeações para cargos no governo, é atribuição do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Paralisia Questionada sobre como enfrentaria a paralisia do Congresso, focado nas investigações de corrupção, na tarefa de solucionar problemas para a evolução de projetos do governo, a ministra foi otimista, e apelou para o amadurecimento das instituições com a democracia. Eu acredito que é perfeitamente possível conjugar uma tramitação adequada dos projetos com as investigações da CPI, afirmou a ministra. Segundo ela esse é um desafio da maturidade do Brasil: a gente ser capaz de ter uma atividade democrática, diria assim, institucional, com a atividade executiva política, que é a tramitação dos projetos. Não vejo razão para fazer essa suposição de paralisia do Congresso. Seria subestimar o nosso Congresso, afirmou a ministra Dilma Rousseff. Ex-guerrilheira perseguida pela ditadura, assim como seu antecessor, José Dirceu, Dilma Rousseff fez questão de enfatizar que a Casa Civil será mantida como um espaço democrático. Nenhum de nós que passou por isso [ditadura] pode deixar de avaliar o valor fundamental da democracia, o valor fundamental de poder ter posições e externá-las em ambientes que não te leve à prisão ou não te conduza ao exílio ou em alguns casos até a morte, ressaltou Dilma Roussef Segundo a ministra, a Casa Civil é um espaço democrático. Eu acredito que o espaço da Casa Civil hoje em 2003, 2004 e 2005 é um espaço democrático, fundamentalmente um espaço de constituição deste valor que foi a democracia que todos nós que de uma forma ou de outra conquistamos nos últimos anos, completou. ### Dirceu diz que não há provas contra ele O deputado José Dirceu (PT-SP) disse ontem que não irá se defender na Câmara dos Deputados das acusações feitas pelo presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson (RJ), porque não há provas. Não sou réu e não há provas, nem testemunhais, nem nada. Dirceu foi acusado por Jefferson de estar envolvido no suposto pagamento de mesada a deputados da base aliada em troca de apoio político -o mensalão. Desgastado, anunciou sua saída do ministério na última quinta-feira e ontem participou da cerimônia de transmissão de cargo para Dilma Rousseff, que assume a Casa Civil em seu lugar. Não tenho nada a responder porque não sou réu. Passei 30 meses no governo. Nunca fui denunciado, nunca fui processado. Tive minhas contas aprovadas. Sou deputado pela terceira vez. Meu mandato é absolutamente transparente. Como deputado, nunca fui denunciado, nunca respondi por nada. Dirceu declarou ainda que sua saída da Casa Civil foi uma decisão política tomada junto ao presidente Lula e não admitiu que tenha relação com as acusações de Jefferson, já que não há provas. Para se fazer uma acusação no Brasil, que é um estado direito, é preciso ter provas, testemunhais e fundamentais. Ele [Jefferson] afirma que não tem. Então, não existe acusação. É simples. Isso aqui é uma democracia. Tem Justiça, tem Parlamento. Então não se pode acusar impunemente. Contra esse tipo de acusação só tem um caminho: a Justiça, e eu já recorri ao STF [Supremo Tribunal Federal], disse. Como deputado, Dirceu disse que irá trabalhar com a bancada petista na agenda que o governo tem para o próximo semestre e colaborar na relação do governo com os partidos aliados. Além disso, disse que assim como o PT, irá apoiar a CPI dos Correios. ### Severino critica perfil técnico de ministra Contrariado com a nova ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que negou recentemente a indicação de seu apadrinhado para a Petrobras, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), criticou ontem o perfil excessivamente técnico dela. Para Severino, a ministra não tem a desenvoltura política que o novo cargo requer, nem trânsito entre parlamentares para ajudar na rearrumação da fraturada base aliada no Congresso. Eu não vejo ela [Dilma] com muita facilidade no trânsito para fazer com que a base partidária possa realmente se integrar de novo ao governo. (...) A ministra até hoje não teve nenhuma desenvoltura política que possa realmente dar essas credenciais. O presidente da Câmara, porém, amenizou suas críticas ao ressalvar que considera a ministra uma pessoa culta, inteligente. Chegou a dizer que a experiência dela durante o regime militar, quando foi presa e torturada, pode ajudar o governo. Severino entrou em choque com Dilma há cerca de dois meses, ao ver frustrada a indicação para a Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras de um afilhado seu, Djalma Rodrigues.

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