loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 26/07/2026 | Ano | Nº 6275
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Roberto Jefferson terá exclusividade

Ouvir
Compartilhar

Felipe Recondo Folhapress Por cerca de duas horas, os integrantes da CPI mista dos Correios discutiram, com direito a gritos e dedos em riste (leia matéria abaixo), a ordem dos próximos depoimentos e decidiram garantir a sessão de amanhã para o depoimento exclusivo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O motivo da briga entre governistas e oposição, foi a convocação do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza à CPI. A oposição queria antecipar seu depoimento para hoje. A oposição reclamou também da inclusão do genro do deputado Roberto Jefferson, Marcus Vinícius, no depoimento de hoje. A oposição queria garantir mais tempo para detalhar as denúncias feitas por Jefferson e reclamou por não ser consultada. Depois, os integrantes dos partidos de oposição argumentaram que preferiam que os ex-diretores dos Correios Antônio Osório Batista (Administração), Eduardo Medeiros de Moraes (Tecnologia) e Maurício Coelho Madureira (Operações), citados por Maurício Marinho, ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal, fossem postergados. Os oposicionistas dizem que não receberam a documentação necessária para embasar os depoimentos. É óbvio que não estamos preparados para argüi-los??, afirmou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Para atender à oposição, o presidente da CPI, Delcídio Amaral cancelou o depoimento do genro de Jefferson, Marcus Vinicius, previsto para amanhã. A intenção é que o interrogatório do deputado, marcado para o mesmo dia, não seja atrapalhado. Só depois de toda a discussão foi chamado para depor Joel dos Santos Filho, um dos supostos arapongas que teria gravado Marinho recebendo R$ 3 mil de propina. ### Dedo em riste e ânimos exaltados A tentativa da oposição de antecipar para hoje o depoimento do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza na CPI dos Correios provocou um bate-boca com os governistas na abertura da sessão, com direito a dedo em riste e a todos os parlamentares de pé no plenário da comissão. A CPI deve ouvir na próxima semana o publicitário a respeito de saques de R$ 20,9 milhões em dinheiro feitos por suas empresas entre julho de 2003 e maio de 2005 e também sobre contratos de suas agências com os Correios. Valério é apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, no pagamento do mensalão - R$ 30 mil que seriam pagos a parlamentares do PP e do PL para votarem com o governo. A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) estava propondo a substituição do depoimento de três diretores dos Correios marcado para amanhã pelo de Valério, procedimento com o qual o deputado Maurício Rands (PT-PE) não concordou. Eles se exaltaram e ficaram de pé, um de frente para o outro, discutindo aos berros. Tira o dedo da minha cara!, gritava Rands, empurrando o dedo de Heloísa Helena. Eles foram cercados por todos os deputados e senadores presentes, uns querendo apartar a briga e outros incentivando a discussão. Fico preocupado com a nossa imagem. Essa cena me lembrou as assembléias do meu tempo de estudante secundarista, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O bate-boca e o debate decorrente da divergência atrasaram o depoimento de Joel Santos Filho em quase duas horas e impediram a votação dos requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Valério, que deve ser votado hoje. Atropelada A CPI havia aprovado na semana passada, junto com outros 110 requerimentos, a convocação do publicitário, mas foi atropelada pela notícia dos saques de grande quantidade de dinheiro em espécie pelo publicitário, veiculada no último final de semana. O depoimento de Marcos Valério já está aprovado na comissão mas na lógica de que ele tem contrato com os Correios, e não pelos saques feitos. Essa é a CPI dos Correios e o que tiver lógica com o que estamos fazendo será investigado até o fim, afirmou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), querendo limitar os trabalhos da comissão. A oposição também alega que a documentação requisitada aos Correios há uma semana não foi enviada ainda, o que prejudica o depoimento dos diretores de Tecnologia, Operações e Administração da estatal. O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse que reclamou com o controlador-geral da União, Waldir Pires, sobre o atraso no envio dos contratos. Não temos as informações necessárias mas essa CPI tem condições de reinquiri-los depois, afirmou Delcídio, mantendo o depoimento dos diretores. ### Dinheiro dado a Marinho era propina Em depoimento à CPI dos Correios, Joel Santos Filho, autor da gravação de um vídeo que mostra cobrança de propina dentro da estatal, disse ontem que acertou com o funcionário Maurício Marinho o pagamento de R$ 15 mil para ganhar uma licitação na empresa. Segundo Joel, os R$ 3.000 que o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração dos Correios aparece colocando no bolso, durante a gravação, seriam um adiantamento para cobrir eventuais despesas de Marinho no levantamento de informações que beneficiariam a empresa. No depoimento ontem, Joel disse que toda a situação criada por ele era fictícia. Ele se apresentou ao ex-chefe de departamento com o nome de Goldman e disse que era diretor de uma empresa de informática chamada Allcom. Joel, que afirma ser consultor, foi contratado pelo empresário Arthur Washeck para fazer a gravação. O objetivo alegado por ambos seria derrubar Marinho, que estaria prejudicando os negócios de Washeck nos Correios. O ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração afirmou à CPI e à Polícia Federal que os R$ 3.000 recebidos por ele eram referentes a uma consultoria em um trabalho paralelo aos Correios. O funcionário também disse que eram bravatas os esquemas de corrupção detalhados por ele na gravação, além da declaração de que agia em nome do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Os R$ 3.000 eram para que a gente pudesse efetivamente ganhar uma licitação nos Correios, afirmou Joel, que não citou o termo propina. Ele teria dito a Marinho, por telefone, que havia conseguido adiantar um agrado, referindo-se aos R$ 3.000. Joel foi quatro vezes conversar com Marinho nos Correios e recebeu R$ 10 mil para fazer a gravação. Seu acompanhante em uma das reuniões, João Carlos Mancuso, teria recebido R$ 5.000. O depoimento do Joel confirma que Maurício Marinho não dizia a verdade quando disse que fez bravatas porque ele repetiu três ou quatro vezes a mesma coisa de forma coerente, disse o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Para parlamentares da oposição, Joel puxou a conversa com Marinho para o lado da área de informática porque o objetivo seria expor supostas irregularidades na diretoria de tecnologia dos Correios, que possui o maior volume de recursos. O então diretor de tecnologia, Eduardo Medeiros, é da cota do PT, e seu cargo estava sendo disputado entre o PMDB e o PTB. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) indicou para a função seu suplente, Robinson Khoury, que hoje é diretor de Recursos Humanos da estatal. Já o senador Fernando Bezerra (PTB-RN), pleiteava a nomeação de Ezequiel Ferreira de Souza. O depoimento de Joel durou cerca de cinco horas. O segundo interrogatório previsto, o de Jairo Martins, que forneceu a câmera, foi cancelado porque seus advogados enviaram à CPI, na tarde de ontem, um fax no qual declaravam que ele estava em Campo Grande (MS) e havia tomado conhecimento da sessão pela imprensa. O Ministério Público Federal pediu ontem ao presidente da CPI que faça uma acareação entre o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o ex-professor da Escola Naval Arlindo Molina. A Polícia Federal deve ouvir o publicitário Marcos Valério hoje, aproveitando a estada dele em Brasília.

Relacionadas