Nacional
Dinheiro não era para fornecedores
FOLHAPRESS Fernanda Karina Somaggio, a ex-secretária do empresário Marcos Valério de Souza, afirmou ontem à CPI dos Correios que os pagamentos a fornecedores da agência de publicidade SMPB eram pagos por meio de boleto ou transferência bancária. Em toda as empresas em que eu trabalhei, todas multinacionais, sempre fizeram pagamentos por boleto bancário ou transferência em conta. Lá [na SMPB] também, afirmou a ex-secretária, em resposta a questionamento sobre as movimentações financeiras da empresa. Em depoimento à mesma CPI na quarta-feira, o empresário Valério justificou os saques de R$ 20 milhões em dinheiro feito em dois anos ao afirmar que eram para pagar fornecedores, artistas e reformas em sedes da agência em Brasília. Esses saques foram detectados por uma investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Karina afirmou, ainda, que o processo de extorsão aberto contra ela foi uma tentativa para que ela desmentisse suas acusações contra o ex-patrão. Ele quis que eu ficasse com medo. Ele só fez isso [abriu o processo] para que eu ficasse com medo e de alguma maneira eu desmentisse, o que foi isso que aconteceu, disse Karina Somaggio, Ela é processada por Valério sob acusação de ?extorsão e ?cometimento do delito de furto qualificado, sob a modalidade do abuso da confiança - a ex-funcionária teria desviado documentos da agência. A ex-secretária abriu seu depoimento com uma exposição de 34 pontos mencionados por ela e que afirma já terem sido comprovados ao longo das investigações. Entre esses pontos, a ex-secretária cita os saques de grandes quantias em dinheiro e os contatos freqüentes com parlamentares, membros de partidos e estatais. ### Delúbio e Silvio Pereira vão depor hoje na Polícia Federal Afastados desde o começo da semana, Delúbio Soares e Silvio Pereira vão ser hoje os primeiros petistas que pertenceram à cúpula do partido a serem ouvidos na investigação da Polícia Federal (PF) sobre o suposto pagamento de mensalão a parlamentares e o envolvimento do PT com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Os dois depoimentos vão ocorrer em São Paulo. A PF também decidiu que vai pedir à Justiça a quebra do sigilo dos cartões de crédito do empresário e da mulher dele, além dos cartões corporativos das agências de Marcos Valério. Soares, ex-tesoureiro do PT, será ouvido pela manhã. À tarde, está marcado o depoimento de Pereira, secretário-geral afastado. Delegados do Distrito Federal vão até a capital paulista questionar os dois petistas sobre a relação com o empresário. O principal ponto do depoimento será o empréstimo de R$ 2,4 milhões contraído pelo PT no Banco BMG de Belo Horizonte. Marcos Valério foi avalista do empréstimo e ainda pagou uma das prestações, no valor de R$ 350 mil, segundo o que revelou a revista Veja. A PF também estuda intimar o presidente nacional do PT, José Genoino, outro avalista do empréstimo contraído no BMG, ao lado de Soares e Marcos Valério. Os policiais aguardam o envio dos dados das movimentações bancárias de Marcos Valério e das empresas dele conseguidos com a quebra do sigilo bancário pela Justiça de Belo Horizonte. Segundo o delegado Zampronha, a quebra do sigilo dos cartões de crédito, que será pedida nos próximos dias, dará uma radiografia mais detalhada dos pagamentos efetuados. Procurador O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), classificou de muito grave a informação de que o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza transferiu R$ 902 mil ao procurador da Fazenda, Glênio Guedes. Segundo ele, Guedes deve ser convocado para depor em breve na CPI. Um requerimento de convocação foi apresentado ontem pelo deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), mas não foi votado. As denúncias são graves. Acredito que as lideranças devem votar o requerimento de convocação do sr. Guedes. Ele vai vir à CPI, disse Delcídio ontem pela manhã. Para ele, esse tipo de relação entre Marcos Valério e um procurador da Fazenda são absolutamente lamentáveis. Na última quarta, em depoimento, Marcos Valério negou qualquer saque de suas empresas de publicidade para Guedes.