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Unificação das comissões fracassa

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Rose Ane Silveira Folhapress Fracassou a tentativa de unificar as CPIs dos Correios e do mensalão proposta pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) por falta de acordo entre as lideranças partidárias. Segundo o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o objeto de investigação da CPI dos Correios já é bastante amplo. Transformar o tema do mensalão em uma subcomissão é para quem não quer verdadeiramente investigar. O líder do PSDB na Câmara, deputado Alberto Goldman (SP), lamentou a falta de acordo sobre a unificação dos trabalhos. Segundo Goldman, as investigações representam os dois lados da mesma moeda. Todas têm como matriz o pagamento de mesadas. Goldman voltou a criticar o governo, que fez questão de impedir que a CPI dos Correios fosse mais ampla e afirmou que o objetivo de se ter tantas CPIs em funcionamento no Congresso, ao mesmo tempo, investigando assuntos correlatos, é estabelecer uma confusão na apuração dos fatos. Sem acordo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu prazo para até as 16h da próxima segunda-feira para que as lideranças partidárias da Câmara e do Senado, indiquem os integrantes da CPI mista do mensalão. Segundo Calheiros, caso as indicações não sejam feitas a tempo, ele mesmo vai designar os integrantes. A previsão é de que já na próxima terça-feira aconteça a primeira reunião de trabalho da CPI e sejam eleitos seu presidente e os três vice-presidentes, bem como seja indicado o seu relator. A CPI do mensalão vai investigar as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), sobre a existência de um suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base aliada em troca de apoio político ao governo federal. ### Irmão de Genoino fala em armação Acuado pelas suspeitas de envolvimento com seu ex-assessor parlamentar José Adalberto Vieira da Silva, preso em São Paulo na sexta-feira passada quando tentava embarcar para o Ceará com R$ 200 mil em uma mala e mais US$ 100 mil escondidos na cueca, o deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE) afirmou ontem, em Fortaleza, que está reunindo documentos para provar o destino do dinheiro e que tem indícios de que tudo possa ter sido uma armação contra o PT. Guimarães, que é irmão do ex-presidente nacional do PT José Genoino, se licenciou ontem da liderança da bancada petista na Assembléia Legislativa, após pressão dos colegas, e, até por causa disso, deixou a vaga na Executiva Estadual do partido, onde só tinha a presença garantida por ser líder da bancada. Guimarães não quis dizer que documentos está reunindo para provar o destino do dinheiro. Apenas afirmou que esse destino não era o PT nem ele próprio. Me considero não só decepcionado [com o Adalberto], mas traído, disse. Isso tudo é inaceitável. Não podemos pactuar com isso, que um ou dois militantes do PT pratiquem esse tipo de coisa. Adalberto foi exonerado do cargo de assessor parlamentar de Guimarães e teve sua filiação no PT suspensa pela Executiva Estadual do partido. Investigação paralela Em sua investigação paralela, como ele mesmo denominou, Guimarães disse que, ainda em São Paulo, procurou os advogados do PT, os advogados de Adalberto, e avisou o Diretório Nacional do PT e o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) logo que soube da prisão de seu então assessor. Guimarães soube da prisão ainda na sexta-feira pela manhã, logo depois de ter acontecido, por meio de seu amigo e colega de partido e de tendência política (o Campo Majoritário) Kennedy Moura, que então ocupava um cargo de assessor especial do BNB, em Brasília. Na segunda-feira, Kennedy Moura pediu exoneração do cargo, após boatos de que teria algum envolvimento no caso que culminou com a prisão de Adalberto. ### Ex-diretor afirma que conhecia Valério O ex-diretor de Administração dos Correios Antônio Osório Batista negou, em depoimento à CPI Mista que investiga o caso de corrupção na estatal, que conhecia o empresário do ramo de publicidade Marcos Valério. A empresa SMPB, de propriedade de Valério, tem contratos firmados com os Correios prorrogados desde o governo passado. Os aditivos, de acordo com Osório, seriam legais. A SMPB, conforme depoimento de Valério à CPI, tinha contratos com a estatal desde o governo Itamar Franco (1992-1994). A oposição contesta a legalidade dos aditivos desses acertos. A deputada Denise Frossard (PPS-RJ) afirma que as conseqüentes prorrogações são ilegais. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) admitiu a possibilidade de os aditivos estarem baseados na lei, mas criticou a renovação dos contratos com Valério. Há excesso dos aditivos e da prorrogação dos contratos que implica no favorecimento de Marcos Valério. Isso não é ético. Afronta a dignidade, afirmou. Osório Batista também negou que tenha pedido ou delegado a outra pessoa na empresa negociar o pagamento de propinas. No vídeo em que o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho disse que Osório era um dos partícipes do esquema de corrupção na estatal. Jamais meu nome foi envolvido em esquema desse. E não deleguei isso a ninguém, afirmou o ex-diretor. Indicação de Silvinho O ex-diretor de Tecnologia dos Correios Eduardo Medeiros admitiu ontem, na CPI dos Correios, que foi indicado para o cargo pelo então secretário-geral do PT Silvio Pereira, mas ressaltou que teria sido escolhido apenas por razões técnicas. Ele também negou que a Novadata, empresa de um amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenha sido favorecida na estatal durante o atual governo. Sigilo do PT O PT colocou à disposição o sigilo bancário à CPI dos Correios, que investiga supostas denúncias de corrupção na estatal. A decisão do partido foi divulgada em um documento lido no início da noite de ontem pelo senador Sibá Machado (PT-AC). O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), informou que irá analisar o documento amanhã em reunião técnica da comissão. De acordo com Delcídio, a CPI está recebendo os originais dos documentos em que ex-dirigentes do PT abrem mão de seus sigilos.

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