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Delúbio nega mensalão e admite caixa 2

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Na abertura da sessão da CPI dos Correios, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que não existe o esquema do mensalão. Não tem pagamento de mesada do PT a partidos. Não tem orientação de votos declarou Delúbio. Por outro lado, o ex-dirigente admitiu que existe caixa 2 em campanhas eleitorais do PT e de partidos da base aliada. Delúbio provocou protestos entre os integrantes da CPI ao dizer que os congressistas sabem como são feitas as campanhas eleitorais. Em seguida, o ex-tesoureiro se desculpou. Desculpe, não quis ofender a ninguém. Delúbio, no entanto, se recusou a dizer, durante seu depoimento na CPI dos Correios, os nomes das pessoas que retiraram dinheiro na boca do caixa. Eu prefiro me reservar ao direito de não declinar os nomes de quem recebeu [o dinheiro do caixa 2]. O não contabilizado é uma conta separada, que não é do PT, e está sob minha responsabilidade, disse Delúbio. Com a voz pastosa e com pouca concentração, Delúbio chegou a ser perguntado pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) se havia tomado algum remédio. Não, senhor deputado, não tomei remédio, respondeu. Ele voltou a afirmar que utilizou dinheiro não contabilizado nas campanhas eleitorais petistas de 2002 e de 2004. Utilizei o dinheiro não contabilizado para pagar dívidas de campanha, principalmente com fornecedores, do PT e de alguns dos partidos aliados, declarou. A dívida do PT de R$ 39 milhões é de campanhas. Delúbio defendeu indiretamente a reforma política e afirmou que as CPIs dos Correios e do Mensalão, vão contribuir para acabar com a prática do caixa 2 nas campanhas eleitorais brasileiras. Ao admitir que o PT usou caixa 2 para quitar dívidas de campanhas anteriores, o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares disse que partidos da base aliada do governo também foram beneficiados. Sobre os empréstimos feitos no BMG, Delúbio disse que pagou R$ 800 mil em juros até 2004 - ele não espeficou o mês. O ex-tesoureiro confirmou que o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, que era avalista do empréstimo, pagou uma parcela de R$ 300 mil. O empréstimo era de R$,2 4 milhões está em R$ 2,7 milhões, segundo Delúbio. Se não pagarmos até setembro, o banco vai executar o PT. Do Banco Rural, segundo Delúbio, nada foi pago do empréstimo de R$ 3 milhões, hoje em R$ 7 milhões. ### Assuntos do PT eram tratados no Planalto O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares confirmou ontem, na CPI dos Correios, que utilizava as dependências do Palácio do Planalto para tratar de questões partidárias do PT. Segundo Delúbio, os encontros no Planalto se destinavam a discutir problemas do PT e também da prefeitura de Goiânia, onde é sua base partidária. Eu freqüentava o Planalto porque sou membro da Executiva Nacional do partido desde 1995. Fui tratar de assuntos do PT e da prefeitura de Goiânia. O ex-tesoureiro afirmou várias vezes, durante o depoimento, que ninguém do governo sabia do esquema de liberação de recursos montado por ele e pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Ninguém mais sabia. Somente as pessoas interessadas. Nunca tratei deste assunto com ninguém do governo. Nunca tratei de dinheiro com o ex-ministro José Dirceu. Posso ter errado, mas saberei, com honra e dignidade, assumir os meus atos, afirmou Delúbio. O ex-dirigente petista se recusou também a explicar como pretendia pagar o empréstimo, no valor de aproximadamente de R$ 39 milhões. Delúbio reafirmou que o esquema de empréstimos montado com Marcos Valério não tem dinheiro público envolvido. Ele negou que fizesse tráfico de influência, que utilizasse seu cargo para intermediar contratos de empresas privadas com o governo e negou também as acusações de que tenha atuado no INSS do Rio de Janeiro, a pedido da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, para que o instituto abrandasse a fiscalização nas indústrias do Rio. ### Delúbio: Meu patrimônio é de R$ 163 mil Após quase oito horas de depoimento na CPI dos Correios, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares revelou que o seu patrimônio é de R$ 163 mil. É tudo o que construí na minha vida, afirmou em resposta ao deputado Jorge Bittar (PT-RJ), acrescentando que resolveu revelar essa informação mesmo contrariando orientação do seu advogado. Segundo ele, sua renda mensal e de sua companheira, Mônica Valente, que é dirigente do PT, ultrapassa R$ 10 mil. Ele acrescentou que possui um carro, modelo Corolla Toyota, que fica em Goiânia. Tudo o que tenho está na minha declaração de renda, explicou. Em resposta ao deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), o ex-tesoureiro do PT afirmou que aceita uma acareação com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que o acusa de envolvimento no suposto pagamento de mensalão. Delúbio disse ainda a Fruet que não aceitou empréstimos não contabilizados de outros empresários além de Marcos Valério. Ele afirmou que sabia que as empresas de Valério tinham contratos com empresas públicas, mas garantiu que nunca se interessou em saber quais eram estas estatais.

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