Nacional
CPI pode convocar presidente do PSDB
Brasília - Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios podem convocar o presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), para depor. Vamos analisar na bancada para termos uma decisão sobre a possível convocação de Azeredo, afirmou o deputado Maurício Rands (PT-PE). Segundo ele, está provado que o esquema de Marcos Valério é uma continuidade do financiamento de campanha que veio do passado. O PT tem que fazer sua autocrítica, mas isso não impede que a sociedade saiba deste caso. Rands disse ainda que, se necessário e a oposição quiser, eles poderão apoiar também a convocação do ex-presidente do PT, José Genoino. Responsabilidade Segunda-feira, o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), atribuiu a Azeredo a responsabilidade pela transferência de R$ 150 mil da empresa SMP&B de Marcos Valério para sua campanha em 1998. De acordo com a revista Época, Abi-Ackel aparece como destinatário de R$ 100 mil no orçamento das empresas. Em nota, o deputado nega conhecer o empresário e diz que o depósito foi efetuado pelo coordenador financeiro da campanha de Azeredo nas eleições de 1998. Em resposta, Azeredo respondeu com outra nota. O presidente do PSDB diz que sua campanha teve a publicidade gerida pela agência Duda Mendonça e que as contas foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais. Um deputado do PFL já adiantou que o partido não sairá em defesa de Azeredo. Segundo esse deputado, quando Roberto Brant (PFL-MG) foi acusado os tucanos não saíram em sua defesa. Já o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que o PT vai ter que expiar suas culpas sem jogá-las para os outros. O caso de Azeredo ocorreu em outro momento, é café requentado, é um ato restrito a ele, mas não há dificuldade de ouvi-lo. O que me preocupa é a possível observação do PT: ?pegamos eles, agora está um a um?. É bem provável que ele [Azeredo] tenha que depor lá na frente, acrescentou. Cobrança O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), cobrou do colega Eduardo Azeredo (PSDB-MG) explicações sobre as doações. Apresente-se logo à CPI e acabe logo com essa brincadeira de petistas. Acabe com essa patacoada, disse. Virgílio rejeitou as comparações do esquema - que teria sido montado para o PT - com as doações realizadas por Valério a políticos mineiros em 1998. ### Tucanos e petistas em jogo de empurra O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), negou ontem a notícia de que teria participado de um esquema de triangulação de verbas de campanha em 1998 com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, e acusou o PT de dar um abraço de afogado na tentativa de afundar seu partido. Discretamente, petistas celebravam o surgimento de uma notícia que liga o esquema Marcos Valério à oposição. Além disso, dá fôlego à tese governista de que todos fazem arrecadações ilegais. O que essa notícia demonstra é que esse padrão de comportamento das empresas de Marcos Valério ocorriam pelo menos desde 1998 com a campanha da coligação PSDB-PFL ao governo de Minas Gerais, disse o líder do governo Aloizio Mercadante. Fico indignado! São coisas totalmente diferentes! Isso foi há sete anos!, rebateu Azeredo. corrupção sem validade Mercadante criticou os tucanos por não ter oferecido antes informações para Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios sobre o esquema para acelerar as investigações, isentou Eduardo Azeredo de envolvimento pessoal e ironizou a defesa do PSDB de que o caso é antigo: Corrupção não é como pote de iogurte, que tem prazo de validade. Um erro não justifica o outro, mas a degeneração não pode ser atribuída a Delúbio Soares [ex-tesoureiro do PT], disse o deputado Maurício Rands (PT-PE). À disposição Azeredo chegou às pressas no Senado no início da tarde para falar na tribuna e se colocou à disposição para esclarecimentos na CPI dos Correios, onde foi citado por integrantes da Comissão durante todo o dia de ontem, na sua maioria, petistas. O senador tucanos Eduardo Azeredo rejeitou qualquer ligação com a crise atual, conforme noticiou o jornal O Globo de ontem. De acordo com a reportagem, a empresa DNA, de Marcos Valério, contraiu um empréstimo no Banco Rural em 1998 de R$ 11,7 milhões. No mesmo ano, sua outra empresa, a SMP&B repassou mais de R$ 1,6 milhão a 70 políticos da coligação de Azeredo. O padrão parece ser muito semelhante, disse o senador petistas Aloízio Mercadante sobre as atuais investigações do PT. Segundo Azeredo, sua coordenação de campanha não tem nada a ver com o empréstimo da DNA com o Banco Rural e teve suas contas aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. Se alguém tentar dar um abraço de afogado, o PSDB não aceita. ### FHC recua e diz que nunca acusou Lula O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) baixou o tom de seus ataques ao governo federal, chegando a afirmar que nunca, nenhum de nós acusou o presidente Lula de nada. Disse, ainda, ser totalmente precipitado falar em impeachment. Em entrevista coletiva realizada ontem pela manhã em São Paulo, durante a abertura do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, FHC cobrou a apuração das denúncias de irregularidade investigadas pela CPI dos Correios, mas afirmou que é preciso separar o joio do trigo, inclusive dentro do PT, porque não são todos que fizeram safadeza. Ele defendeu a política econômica do atual governo que, segundo FHC, teve o bom senso de seguir a sua política. FHC deu as declarações após ter driblado, em um primeiro momento, os jornalistas que cobriam o evento. Após ser combinado que haveria entrevista, FHC deixou o local dizendo que não faria declarações. Voltou após insistentes reclamações dos repórteres a sua assessoria. Ao ser questionado sobre a reportagem publicada ontem por O Globo - que revela que um suposto esquema, semelhante ao mensalão, teria ocorrido em 1998 durante a gestão do então governador mineiro Eduardo Azeredo - FHC disse: Hoje (ontem), confesso que não li os jornais. Sobre as denúncias, FHC procurou relativizar o caso, ao dizer que é preciso analisar e, depois, discriminar. Isso é grave? Qual o grau de gravidade? Maior, menor? Está comprometendo sistemicamente? Tem responsabilidade política? É um fato que eu não conheço. Mas, se for fato, vamos examinar e colocar no contexto de outros fatos. Para FHC, a tentativa dos governistas de ampliar a CPI do Mensalão para o período de sua gestão - e para a suposta compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição - visa tirar o foco das atuais investigações. O foco não é esse. Esses são fatos passados há dez anos. Não houve nenhuma acusação de interferência nem minha nem dos ministros meus. Pode apurar à vontade, mas não tire o foco. Durante suas afirmações, FHC procurou poupar o presidente Lula. Primeiro, ao negar que havia um acordo entre ele próprio e o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) para blindar Lula, numa tentativa de evitar que o vice-presidente José Alencar (PL) assumisse a Presidência. Não houve nenhuma combinação nesse sentido. Até porque, nunca, nenhum de nós acusou o presidente Lula de nada. Não temos porque especular o que vai acontecer com o vice-presidente. ### Deputado pede que Abi-Ackel deixe relatoria O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) apresentou ontem requerimento à presidência da CPI do Mensalão, instalada no Congresso, pedindo a saída do relator da comissão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG). Abi-Ackel vem sendo pressionado pela oposição para deixar o cargo após a divulgação de reportagem da revista Época que vincula seu nome a duas doações - que totalizam R$ 150 mil - feitas em 1998 pela empresa SMP&B, de Marcos Valério. No requerimento, Pompeo de Mattos diz que as investigações não poderão ter sua relatoria a cargo de um parlamentar sob o qual pesam suspeitas. A iniciativa que propomos visa resguardar o Congresso de eventuais legítimas contestações pela sociedade, diz o texto. Abi-Ackel descartou a possibilidade de renunciar ao posto e disse que sob Pompeo pesam suspeitas de desequilíbrio mental. Esta é uma hora muito propícia para demonstrações teatrais, para manifestação de hipocrisia moral. É um destrambelhado, não levo em consideração [o requerimento], disse. Sobre as doações das empresas de Valério, o relator da CPI afirmou, em nota, que as doações foram feitas à coligação majoritária ao governo de Minas Gerais, à época encabeçada pelo senador Eduardo Azeredo, hoje presidente do PSDB. A nota também leva a assinatura de Cláudio Mourão, então coordenador financeiro da campanha de Azeredo. A nota contém um elemento que não se vê em outras, a co-assinatura de quem pagou. A origem do dinheiro é legítima, disse o pepebista. O líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (SP), pediu também ontem o afastamento de Abi-Ackel da relatoria da CPI do Mensalão. Durante o discurso de Mercadante, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) concordou que o deputado Ibraim Abi-Ackel deveria deixar a relatoria da CPI do Mensalão. O líder do governo pediu a Suplicy que confirmasse que nunca foi informado sobre as operações de empréstimos realizadas pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Quero confirmar que, como participante da Executiva Nacional do PT, nunca fui informado sobre essas operações. Sobre o deputado Abi-Ackel, avalio que ele próprio poderá contribuir com a CPI do Mensalão ficando fora da relatoria, disse Suplicy. Explicações Filiado PP, partido que tem deputados acusados de receber o mensalão, Abi-Ackel foi indicado à relatoria pelo governo devido a sua formação jurídica. Ele foi ministro da Justiça no governo de João Batista Figueiredo (1918-1999), entre 1980 e 1985. O vice-presidente da CPI, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que cabe a Abi-Ackel dizer se está impedido ou não de permanecer na função. Segundo Pimenta, Abi-Ackel deu explicações sobre o caso, por telefone, ao presidente da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO). A CPI pretende começar os trabalhos na próxima semana com o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o suposto pagamento do mensalão pelo PT a deputados do PP e PL.