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Mabel: PT repassou dinheiro para o PL

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| FELIPE RECONDO Folha Online O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sandro Mabel (GO), afirmou que o dinheiro recebido pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato na semana retrasada, servia para pagar material de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As dívidas, de acordo com ele, não foram contabilizadas pela campanha petista, que tinha o nome de José Alencar na coligação PT-PL. Os dados apontados pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza mostram que Costa Neto seria beneficiário de R$ 10,8 milhões sacados das contas da empresa SMP&B. Mabel disse que o presidente da legenda confirma o recebimento de R$ 5 milhões ou R$ 6 milhões. A campanha que ele pagou foi a do Lula em 2002 porque o vice presidente era do PL. Ele pedia material e o pessoal do PT mandava fazer para acertar depois. E eles acertaram, mas acertaram depois sem colocar na prestação de contas, afirmou Mabel. O PT autorizava porque o PL estava na campanha, acrescentou. Apesar disso, o deputado do PL preferiu não declarar oficialmente que a campanha do presidente Lula se utilizou da sistemática de caixa dois, em que dívidas de campanha não são contabilizadas nas declarações ao Tribunal Superior Eleitoral. Em seu discurso de renúncia, Costa Neto indicou que os recursos foram usados para a campanha presidencial, mas não deixou explícita a natureza dos gastos. Durante a campanha eleitoral de 2002 tive a promessa do Partido dos Trabalhadores de que receberia recursos financeiros para fazer frente às despesas da coligação PT-PL. Sob o signo da nefasta verticalização, formávamos uma aliança partidária que disputava eleições proporcionais e majoritárias, tendo como principal bandeira a conquista da Presidência da República, afirmou o presidente do PL. Os parlamentares da oposição suspeitam que os recursos repassados a Zilmar Fernandes da Silveira, sócia de Duda Mendonça, também foram usados para a campanha presidencial. A diretora administrativa-financeira da empresa, Simone Vasconcelos, confirmou que o dinheiro, R$ 15,5 milhões, foi repassado às mãos da sócia de Duda, responsável pela campanha presidencial. Mabel pediu ontem ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que remeta o mais rápido possível o processo que pede a cassação de seu mandato de deputado por Goiás ao Conselho de Ética. A representação, de autoria do PTB, acusa Mabel de ter proposto o ingresso da deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO) no PL mediante o pagamento de R$ 1 milhão. ### Em carta à CNBB, Lula reconhece crise O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem, em carta enviada à presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ter plena noção da gravidade da crise política pela qual passa o País, motivada por uma série de acusações de corrupção que atingem o governo e a parte de sua base de apoio. A carta tem três páginas e chegou na manhã de ontem, via fax, às mãos do presidente da CNBB, cardeal Geraldo Majella Agnelo. A carta foi lida no plenário da 43ª Assembléia Geral da CNBB, que reúne cerca de 300 bispos do país e começou na manhã de ontem em Indaiatuba (102 km de São Paulo). A assembléia termina no próximo dia 17. Mesmo antes de receber a carta do presidente, a CNBB havia decidido formular uma nota sobre a situação econômica do País. Para alguns bispos, Lula sinaliza com a carta, a tentativa de ganhar apoio da Igreja e evitar críticas contundentes durante a assembléia. Esta assembléia ocorre num momento muito particular do nosso País, em que uma crise política nos atinge fortemente. Quero, com toda a franqueza, afirmar-lhe que tenho plena noção da gravidade do processo que estamos vivendo e de como ele precisa ser superado para que o País retome sua vida normal de desenvolvimento e de inclusão social, diz um trecho da carta de Lula. Os debates sobre a crise política dividiram as opiniões entre os bispos. Enquanto alguns bispos faziam críticas contundentes ao governo, outros diziam que a crise não deveria ser agravada. O bispo de Jundiaí (SP), Dom Amaury Castanho, 77, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa falar menos e governar mais. Espero que pelo menos que haja um fim de governo sério e que o Lula viaje menos, fale menos e governe mais, disse o bispo, que é considerado da ala mais conservadora da CNBB e é professor de Teologia e Filosofia. Para o arcebispo de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, 71, a declaração a ser elaborada pelos bispos sobre a conjuntura atual do País deve ser feita com carinho e atenção para não agravar ainda mais a crise política. Não está na hora de sacudir porque o povo está desorientado, disse o arcebispo. ### CPI dos Correios convoca Luiz Gushiken A CPI dos Correios aprovou ontem, em votação simbólica, a convocação de Luiz Gushiken -ex-ministro da Secretaria de Comunicação de Governo e atual chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência - para esclarecer sua atuação na gestão dos contratos de publicidade federais com as empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, envolvido no escândalo do suposto mensalão. A data do depoimento não foi marcada, mas também foram aprovados os requerimentos para Marcos Vinícius di Flora e Expedito Carlos Barsotti deporem. Ambos foram secretários de Gushiken na Secom. Gushiken, que perdeu o status de ministro pelo desgaste relativo a acusações de que a empresa da qual foi sócio teria ampliado a receita de contratos com fundos de pensão, foi acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de atuar no suposto esquema de corrupção federal ao lado do ex-ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP). Os outros oito convocados ontem são: Emerson Palmieri (ex-tesoureiro do PTB e ex-diretor da Embratur), Kátia Rabelo (presidente do Banco Rural), Rogério Tolentino (sócio de Marcos Valério), Marcelo Sereno (ex-secretário de Comunicação do PT), Ivan Guimarães (ex-presidente do Banco Popular), José Carlos Batista (dono da Guaranhuns Empreendimentos), Solange Pereira de Oliveira (ex-secretária de Delúbio Soares) e Egydio Bianchi (ex-presidente dos Correios). Todos os requerimentos foram votados por acordo. Diante do esvaziamento causado pelo depoimento de Marcos Valério na CPI vizinha, do Mensalão, os integrantes debateram o destino dos trabalhos. Sem prejuízo do que já foi investigado sobre os beneficiários de verbas ilícitas, o foco deve ficar na origem, isto é, os focos de corrupção no governo federal que supostamente alimentavam o chamado valerioduto. Estamos voltando nosso foco para investigar a origem do dinheiro, disse o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR). Hoje, as duas CPIs farão sua primeira sessão conjunta para ouvir o sócio de Marcos Valério na SMP&B e outras empresas, Cristiano Paz. Amanhã, deve ser ouvida a sócia do publicitário Duda Mendonça, Zilmar Silveira. Governistas, com a estratégia de aprofundar o envolvimento do PSDB no suposto valerioduto com o caso do caixa dois do senador Eduardo Azeredo na campanha para o governo de Minas Gerais, convocaram o tesoureiro tucano à época, Claudio Mourão. Também foram pedidos dados sobre contratos de publicidade do Estado a partir de 1995. Outra vitória dos governistas: conseguiram transformar em pedido de explicações a convocação de Aristides Junqueira, ex-procurador geral da República e advogado do PT que se afastou da defesa do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Marcos Valério disse ontem que pagou R$ 185 mil a Junqueira para atuar no caso do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Foram ignorados os apelos do deputado Pompeu de Mattos (PDT-RS) para convocar o empresário Daniel Dantas, do grupo Opportunity, por falta de acordo. Apesar do descontentamento dos líderes da base aliada, Serraglio manteve ontem a decisão de produzir um relatório parcial até a próxima semana recomendando a cassação de deputados ao Conselho de Ética da Câmara.

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