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Palmieri desmente versão de Valério

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Silvio Navarro Ranier Bragon Hudson Corrêa Folhapress Brasília - O tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, afirmou ontem em depoimento à CPI do Mensalão ter acompanhado o publicitário Marcos Valério em viagem a Lisboa cujo objetivo seria tentar obter cerca de R$ 24 milhões da empresa de telefonia Portugal Telecom. Palmieri disse que Valério se apresentou como sendo do PT do Brasil. Ao relatar a viagem, ocorrida em janeiro deste ano, Palmieri disse que teve um rápido encontro com o presidente da empresa portuguesa, Miguel Horta e Costa, informação negada tanto pelo publicitário quanto pela Portugal Telecom. O tesoureiro do PTB detalhou ainda como os recursos entrariam nos caixas do PTB e do PT. O dinheiro entraria por meio de uma tele no Brasil e não de lá [Portugal] para cá, disse. Em seguida, tentou retificar sua declaração, mas foi impedido pelo presidente da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO). Está nos autos, o que vale é o que está gravado, disse Lando. Entre outros investimentos no Brasil, a Portugal Telecom é sócia da Telefônica na empresa de telefonia celular Vivo. Miguel Horta e Costa nega ter se encontrado com Valério nas datas citadas e diz não conhecer Palmieri. Também rechaça ter sido procurado para tratar de financiamentos de partidos. Na sua fala à CPI, Palmieri reproduziu a versão do deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente licenciado do PTB, segundo quem o objetivo da viagem era obter recursos para o caixa do PTB e do PT. O acerto para o suposto repasse de recursos teria sido feito entre a empresa portuguesa e o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), que também nega a história. Segundo Palmieri, foi Dirceu quem marcou o encontro em Lisboa. Chegando à Portugal Telecom, o senhor Marcos Valério se identificou como Valério, do PT do Brasil?, e já subimos para o último andar. Chegando ao último andar, nos atendeu uma secretária, e o senhor Marcos Valério me pediu que eu e o doutor Rogério [Tolentino, advogado de Valério] aguardássemos em uma sala ao lado, afirmou Palmieri. E ele foi falar com o senhor Miguel Horta. Ficou lá durante 30, 40 minutos. Quando ele saiu, eu perguntei: E agora, vamos fazer a reunião??, ele falou: Não, já está tudo conversado?. Ex-diretor da Embratur até o início da crise política, Palmieri disse ainda que Valério afirmou, após o suposto encontro, que o problema do PT e do PTB seria solucionado em 20 dias, aqui no Brasil. Questionado por integrantes da CPI sobre qual problema, respondeu: Problemas de recursos para o PTB e o PT. (...) Seria algo em torno de R$ 20 milhões a R$ 24 milhões, afirmou. Valério afirma que procurou Horta porque detém as contas de publicidade da Telemig e teria medo de perdê-las caso a empresa fosse vendida para os portugueses. Ele diz, porém, que não conseguiu se reunir com Horta na viagem de janeiro. ### Dirceu dava a última palavra em acordos O tesoureiro afirmou ainda não ter conhecimento de contrapartidas que a Portugal Telecom receberia do governo, como a citada transferência de recursos do Institutos de Resseguros do Brasil (IRB) para o banco português Espírito Santo, principal acionista da Portugal Telecom. O depoimento de Palmieri, que compareceu à comissão acompanhado do advogado do PTB Itapuã Messias, o mesmo que defende Jefferson, corroborou as palavras do presidente licenciado do PTB. Em vários trechos, o tesoureiro afirma que Dirceu era quem dava a última palavra sobre os acordos eleitorais que PTB e PT teriam fechado para as eleições municipais de 2004. A única divergência na fala de Palmieri em relação à de Jefferson foi sobre o paradeiro dos R$ 4 milhões que Jefferson diz ter recebido do PT como parte de uma acordo de R$ 20 milhões firmado com o PT em 2004. Segundo o deputado, o dinheiro teria sido repassado aos candidatos do PTB. Palmieri diz que o dinheiro não foi distribuído. Na minha opinião, ele não distribuiu o dinheiro, afirmou. Membros da CPI do Mensalão pediram uma acareação entre os dois. ### Ex-tesoureiro do PL confirma saques para Costa Neto Também em depoimento à CPI do Mensalão, o ex-tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, confirmou que recebeu várias vezes recursos no Banco Rural e na empresa de Marcos Valério, a SMP&B, e os repassou para o presidente do partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto. No entanto, ele garantiu desconhecer o montante total do dinheiro que passou por suas mãos. O ex-tesoureiro disse aos membros da CPI que nas vezes em que esteve na SMP&B sequer sabia o que continha dentro dos envelopes. Jacinto Lamas contou que Valdemar apenas o tinha orientado a buscar uma encomenda na sede da empresa, em Belo Horizonte. Somente depois que passou a ir buscar envelopes na agência do Banco Rural em Brasília é que passou a imaginar que seu conteúdo eram recursos financeiros. Eram pacotes fechados que eu recebia no Banco Rural. Pacotes grandes. Eu imaginava que deveria ser dinheiro. Não podia ser pão ou carne, brincou o ex-tesoureiro. O comportamento de Jacinto Lamas incomodou a alguns parlamentares. Logo no início de sua fala, ele aparentou nervosismo e chegou até a se emocionar. Depois foi se descontraindo e passou a rir freqüentemente, até o momento em que foi advertido pelo deputado João Correia (PMDB-AC). O parlamentar pediu ao depoente que respeitasse o povo brasileiro. Jacinto Lamas expressou nervosismo quando comunicou à CPI que, após o teor do seu depoimento à Polícia Federal ter sido divulgado pela imprensa, passou a receber ameaças. Ele contou que ainda guarda e-mails e gravações em seu telefone celular de mensagens ameaçadoras. O presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), indagou se o depoente necessitaria de proteção policial. Lamas respondeu que no momento, não, mas que entraria em contato com a comissão se sentisse necessidade. delúbio soares Atendendo a pedido do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, a CPI do Mensalão resolveu adiar para a próxima quinta-feira (18), às 9 horas, o depoimento que estava marcado para hoje. A alegação do petista para solicitar a transferência para outra data foi o depoimento que prestou à Comissão de Ética do PT ontem. Hoje, às 11h30, haverá uma reunião administrativa da comissão.

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