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Esquerda petista isola Ricardo Berzoini
| FOLHAPRESS Rio de Janeiro O secretário-geral do PT, Ricardo Berzoini, ficou isolado na noite da última sexta-feira, na defesa do governo Lula, em debate com outros cincos candidatos à presidência do partido. No próximo dia 18, os mais de 800 mil filiados ao Partido dos Trabalhadores em todo o País irão às urnas para eleger pelo voto direto a nova direção do partido. O ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, considerado uma figura histórica dentro do partido, chegou a pregar a demissão imediata do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e da equipe econômica do governo. Disse também que Lula é um presidente que não tem força para governar. Realizado à noite em um sindicato na zona norte carioca, o debate foi cordial, mas marcado pela presença da militância e pela exaltação dos candidatos da esquerda petista. Com palavras de ordem e cantos, cerca de 500 petistas aplaudiram seus preferidos de forma entusiasmada. Não chegou a haver vaias, embora Berzoini tenha sido saudado com menos intensidade do que os demais. Cada candidato falou dez minutos. O primeiro foi Marcus Sokol, considerado uma espécie de ultra-esquerda pelos próprios petistas. Exaltado, ele chegou a esmurrar a mesa ao dizer: O governo que está aí não nos representa. Esse não é o partido fundado há 25 anos para defender os trabalhadores, discursou ele, para quem o governo Lula produziu este fiasco que está aí. ### Presidente não tem força para governar Também eloqüente, Plínio de Arruda Sampaio defendeu uma ruptura total do governo com a atual política econômica, cujo modelo agrava os problemas do País. Ele alfinetou Berzoini, o ministro que fez a reforma da Previdência, segundo ele prejudicial aos aposentados. Vamos dizer a Lula e à Nação que nossa política não é essa. Nosso partido se transformou em uma máquina eleitoral que elegeu um presidente que não tem força para governar. Berzoini procurou defender o governo. Disse que a amplitude da crise decorre da proximidade da eleição presidencial. Segundo ele, a oposição está empenhada em impedir que Lula consiga o segundo mandato. Reconheceu, porém, que a crise se apóia em erros cometidos por dirigentes do PT, por companheiros que se equivocaram. O candidato Raul Pont não poupou a cúpula petista. Ele disse que o diretório nacional impede e bloqueia o processo investigatório e a punição. Não há nenhuma avaliação autocrítica dos que nos conduziram a este fracasso, a esta derrota brutal, criticou. Também opositor do chamado Campo Majoritário (grupo predominante no comando petista), Valter Pomar disse que a direita está querendo tirar a esquerda do cenário político do País. Por mais problemas que tenha o nosso governo, ele é o nosso governo e não interessa facilitar as coisas para a direita, disse ele, que, em um segundo turno da eleição petista, defendeu a adesão dos candidatos derrotados àquele que estiver enfrentando o do Campo Majoritário. Emocionada, a candidata Maria do Rosário elogiou a mobilização da militância fluminense, lamentou que o PT tenha ficado menor a partir da crise e pregou a formação de uma direção partidária colegiada. O PT abandonou a capacidade formuladora, teorizou. |FP