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Nonô nega acordo com Michel Temer
Isabel Braga Helena Chagas Globo Online Brasília - O presidente interino da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), negou ontem que tenha fechado acordo com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), para a disputa pela sucessão de Severino Cavalcanti. Nonô disse que já conversou com muitos parlamentares e que vai esperar até o meio-dia de hoje para registrar sua candidatura. Até lá, Nonô espera conquistar o apoio formal do PPS, do PV e do PDT, embora este último tenha candidato, o deputado Alceu Collares (RS). O pefelista já tem o apoio do PSDB e do Prona. Ele não falou o número de deputados a quem já pediu voto, mas disse que ainda faltam muitos. O pefelista disse ainda que está fazendo uma campanha barata e que aposta o sucesso de sua candidatura na conduta de 23 anos na Câmara. A candidatura de Nonô está sendo contestada do ponto de vista jurídico. Por já ser presidente de fato da Casa (assumiu com a renúncia de Severino Cavalcanti), Nonô estaria impedido de concorrer à reeleição, como determina a Constituição. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou ontem que a Câmara deve eleger um presidente que tenha um perfil institucional, adequado ao momento dramático que a Casa vive. Segundo Renan, o candidato do PMDB, deputado Michel Temer (SP), tem esse perfil, mas não conseguiu apoio. O senador também elogiou adversários de Temer: Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Francisco Dornelles (PP-RJ) e José Thomaz Nonô (PFL-AL). O senador disse que tentou pessoalmente ampliar a candidatura de Temer junto a PSDB, PFL e PT, mas não obteve resultados. ### Baixo clero tenta hoje candidato único Candidatos de três dos protagonistas do escândalo do mensalão (PTB, PL e PP) fecharam um acordo e prometem tirar amanhã um nome único para disputar a presidência da Câmara, nesta quarta. Ciro Nogueira (PP-PI), Luiz Antônio Fleury (PTB-SP) e João Caldas (PL-AL) reuniram-se no final da tarde de ontem e chegaram à conclusão de que separados ficarão espremidos entre governo e oposição, mas juntos teriam uma boa chance de chegar ao segundo turno: suas bancadas, somadas, representam 144 dos 513 parlamentares. Esperam também ter apoios no PMDB e na oposição. Queremos fazer uma administração totalmente neutra, sem vínculo nenhum com oposição nem governo. É ?a terceira via? para fazer a Casa andar, disse Ciro. Corregedor da Casa e herdeiro político de Severino Cavalcanti (PP-PI), hoje Ciro é o nome mais forte para encabeçar um possível consenso. Num segundo turno contra o governista Aldo Rebelo (PC do B-SP), espera ter o voto da oposição. Já a possibilidade de Michel Temer (PMDB-SP) juntar-se ao grupo ficou mais distante ontem. Temer ainda acalenta o sonho de ser o destinatário de governistas desanimados com a candidatura de Aldo Rebelo. Também resiste a participar do acordo outro candidato do PP, Francisco Dornelles (RJ), o que pode trazer dor de cabeça para Ciro. Ele foi escolhido o nome da bancada na semana passada, mas o partido está mudando de idéia, por avaliar que Dornelles tem pouco trânsito no chamado baixo clero. Cerca de um terço da bancada se mantinha fiel a Dornelles ontem. Uma reunião do PP ontem à noite iria discutir o racha no partido, com possibilidade de um apoio a Ciro. Dornelles decidiu boicotar o encontro. ### Centrão não consegue definir nome A definição a respeito de um candidato único do centrão esbarra num problema simples, mas potencialmente intransponível: quem seria ele. Por isso, a aliança pode não ocorrer imediatamente. Ficaria para o segundo turno. Hoje à tarde, Ciro, Fleury e Caldas vão apresentar seus mapas de apoio e fazer contas. Em tese, quem tiver mais votos assegurados leva a candidatura. Aqui não tem blefe, número é número, declarou o candidato do PL, João Caldas, também ele um herdeiro de Severino. Caldas aparenta maior disposição em abrir mão da candidatura em favor de Ciro. Fleury é uma incógnita. Desde o início ele é candidato mais para ajudar a reerguer seu partido, o PTB, atingido após seu ex-presidente Roberto Jefferson ter denunciado o mensalão. Curiosamente, o fez atacando diretamente PP e PL, que agora quer como aliados. Chegamos à conclusão de que as três candidaturas estão andando bem individualmente, então vamos verificar qual nome une mais e representa a pacificação da Casa, declarou Fleury. Ontem, Ciro reuniu-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que foi um dos incentivadores de Aldo. Isso gerou especulações sobre um desembarque de Renan da candidatura de Aldo e a adoção de Ciro como um plano B. Ele [Renan] me chamou aqui para conversar e eu vim. Se for um acordo para o segundo turno está bom. Para um primeiro, seria melhor ainda, declarou o pepista. Renan não confirmou o acordo. CPI dos Correios A sucessão na Câmara poderá atrapalhar o cronograma de trabalho da CPI dos Correios esta semana. O novo depoimento de Maurício Marinho, ex-chefe de divisão dos Correios que foi flagrado recebendo propina, poderá ser adiado, tendo em vista que está marcado para amanhã, mesmo dia da eleição para a presidência da Câmara.