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Petistas negam conhecimento de caixa 2

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| Folhapress Brasília A Executiva Nacional do PT aprovou ontem uma resolução na qual afirma que jamais tomou conhecimento, jamais autorizou, jamais discutiu, jamais orientou o financiamento paralelo de campanhas. Trata-se de uma reação às declarações do ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira publicadas anteontem pela Folha de S.Paulo. Em entrevista, o ex-dirigente, acusado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de participar do esquema de caixa dois petista, afirmou que sua responsabilidade nesse caso não é diferente da de nenhum outro dos 21 membros da Executiva Nacional. Segundo ele, todos os membros da Executiva sabiam do caixa dois. Silvio deixou o partido após a confirmação de ter recebido uma Land Rover de presente de um empresário que tinha contratos com a Petrobras. Após a publicação de sua entrevista, no domingo, ele divulgou nota negando o conteúdo das declarações. Mas o secretário de Relações Internacionais do PT, Paulo Ferreira, admitiu, em entrevista publicada ontem pelo jornal O Globo, que os membros da Executiva sabiam do caixa dois. Até a noite de ontem, a reportagem não havia localizado o dirigente. A ex-prefeita Marta Suplicy, vice-presidente do PT e integrante da Executiva, afirmou, ao participar da reunião de ontem, que não tinha o que comentar sobre o assunto. Nunca, em nenhuma das reuniões das quais participei, escutei qualquer alusão ou discussão sobre isso [caixa dois], disse Marta. Então não tenho o que comentar sobre o que ele [Pereira] falou nem de onde ele tirou. Valter Pomar, que disputou a presidência do PT e é 3º vice-presidente do partido, disse que, se as declarações [de Silvio] fossem para ser levadas a sério, deveriam ter sido feitas à Polícia Federal e às CPIs. É uma mentira sem pé nem cabeça, afirmou Pomar. Ainda na resolução da Executiva aprovada ontem, os petistas voltaram a criticar a atuação das CPIs no Congresso. Este importante instrumento de investigação do Poder Legislativo não pode ser desgastado pela sua instrumentalização político-partidária, inclusive deixando de apresentar resultados objetivos e provas que dêem sustentação para os seus relatórios, afirma o documento. Acerto de contas A Executiva também decidiu, após analisar proposta de anistia aos cinco deputados que estão suspensos de suas atividades na bancada, levar os casos para o Diretório Nacional, que se reúne nos próximos dias 21 e 22. Os petistas suspensos são Mauro Passos (SC), Paulo Rubem Santiago (PE), Doutora Clair (PR) e Walter Pinheiro (BA), que foram contra decisões de bancada na votação do salário mínimo, além de Virgílio Guimarães (MG), que se candidatou no início do ano à presidência da Câmara contra a vontade do Palácio do Planalto. Ainda na reunião, os petistas analisaram cerca de 50 recursos que contestavam procedimentos no primeiro turno das eleições internas petistas, realizado no dia 18 de setembro. A maioria foi rejeitada. Alguns casos serão analisados, também, na reunião do Diretório, mas nenhum, afirmam os dirigentes, deve alterar os resultados do primeiro turno. ### Caixa 2 é coisa de bandido, diz ministro Thomaz Bastos O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ontem em São Paulo que dinheiro de caixa dois não é dinheiro bom, não deve ser usado. Segundo ele, é preciso guardar o caixa dois só para os bandidos. O ministro se referia a atos praticados no dia-a-dia do País em que, muitas vezes, os cidadãos não têm consciência de estarem contribuindo para alimentar esquema de fraude fiscal, como deixar de pedir nota fiscal ou aceitar pagar menos por determinado serviço, abrindo mão de recibo. De acordo com ele, por vezes há complacência dos brasileiros com a prática de caixa dois. Segundo a assessoria do ministro, ele não se referia aos atos praticados pelo PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - os dirigentes da legenda já declararam que movimentaram caixa dois (recursos paralelos, não contabilizados oficialmente e que, portanto, não têm incidência de impostos) para pagar despesas da campanha de 2002. Sobre a prática dos PT, o ministro afirmou que a Polícia Federal ainda está investigando os indícios. Segundo Thomaz Bastos, essa apuração está sendo feita com rigor. Contradição O deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP) afirmou ontem que a informação do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira colide frontalmente com as declarações dele já fornecidas à CPI dos Correios. Ele disse que a comissão deverá pedir à Polícia Federal que ouça novamente Pereira. Caso seja confirmada a informação, Pereira deve ser chamado mais uma vez depor na CPI. Cardozo afirmou ainda que há uma indignação de membros da direção nacional do partido em relação à declaração de Pereira. Temos que investigar as relações que o Silvio teve no beneficiamento da GDK, disse o deputado. A GDK é a empresa do ramo petrolífero que venceu licitações para prestar serviços à Petrobras e deu de presente um carro importado para Silvio Pereira. ### Dinheiro pode ter vindo do exterior O senador petista Delcídio Amaral, presidente da CPI dos Correios, declarou que o dinheiro do caixa dois do PT pode vir de contas no exterior. Para ele, está cada vez mais claro que os empréstimos tomados por Marcos Valério e supostamente repassados ao partido não passam de fachada. Você tem várias movimentações [financeiras]. Como o Marcos Valério pegando esses empréstimos - entre aspas, porque a cada dia nós nos convencemos mais de que essas operações de empréstimos são de fachada, disse Delcídio. Na opinião do presidente da CPI dos Correios, a ação poderia servir para repatriar dinheiro. Você poderia ter contas lá fora e os empréstimos seriam de fachada, empréstimos de você para você mesmo, afirmou o senador. Na versão apresentada por Delúbio Soares e pelo próprio empresário Marcos Valério, ele teria tomado empréstimos de cerca de R$ 55 milhões nos Bancos Rural e BMG e os repassado ao PT, em operação avalizada pelo então presidente do partido José Genoino. Supostamente, os recursos seriam utilizados para pagar despesas da campanha de 2002 do partido e da base aliada, que não haviam sido contabilizadas. Um dos indícios para a CPI dos Correios desconfiar da versão dos empréstimos é que eles sequer estavam registrados na contabilidade da SMP&B, a agência de propaganda que Valério usou para obter o crédito. Para Delcídio, a operação de fachada poderia ser explicada em diversas situações, como empresas que desejassem fazer doações de campanha não registradas na Justiça Eleitoral. Essa empresa contrataria os serviços da SMP&B, repassaria os recursos superfaturados - por serviços apenas teóricos - que precisariam voltar para o PT. O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) também concorda com a tese de empréstimos fachada. Para ele, um dos indícios mais fortes para os membros da comissão seria os pagamentos ao publicitário Duda Mendonça no exterior. Evidentemente existiram pagamentos no exterior para saldar débitos de campanha relativos a Duda. Há suspeitas muito acentuadas de que o empréstimo possa não ter existido. ### Lula cobra coerência de empresários Em discurso ontem em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou coerência do empresariado do País, criticou acusações sem provas - num claro recado às CPIs - e pediu o reconhecimento de suas ações na área econômica, afirmando que o Brasil entrou numa rota de desenvolvimento sustentável mesmo após 120 dias subordinado a centenas e centenas de denúncias. Vivemos um momento que merece reflexão do setor empresarial, dos trabalhadores e da classe política brasileira. Faz 120 dias que o Brasil vive subordinado a centenas e centenas de denúncias. As mentiras irão aparecer e as verdades também. O povo precisa ter cautela porque o denuncismo ficou solto durante quatro, cinco meses, afirmou Lula, na abertura do 6º Seminário da Indústria Brasileira da Construção, realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Aproveitando o atual quadro, em que o Palácio do Planalto avalia estar reagindo à crise política, o presidente partiu para ofensiva. Acho que os deputados devem estar com muita dificuldade de apurar a concretude das denúncias feitas, afirmou Lula. O presidente disse ainda que o governo não cedeu durante toda a crise. Trabalhamos com muito cuidado para não permitir que viesse a criar qualquer problema na economia, afirmou ele. Por exemplo, quando aprovaram o salário mínimo de R$ 384, disse textualmente que iria vetar porque as prefeituras não poderiam pagar e muito menos a Previdência suportaria. Sei que isso foi feito para me desgastar politicamente. Nesse momento, Lula se dirigiu diretamente aos empresários presentes no evento, que momentos antes de seu discurso haviam criticado a política de juros e cobrado mais investimento do governo. Durante a campanha eu fiz muitos debates com o setor empresarial, aqui e no Brasil inteiro, e a coisa que os empresários mais reivindicavam para mim era que o Banco Central deveria ter autonomia. Agora as pessoas querem que eu determine a política de juros, afirmou Lula, que foi além: Vocês cobraram de mim, durante dez anos, que o câmbio fosse flutuante, agora querem que eu determine o valor da moeda. Segundo ele, a seriedade veio para ficar na economia. Não terá medidas em função do ano eleitoral, não terá medidas para ajudar o candidato a presidente ou o candidato a governador ou o candidato a deputado, afirmou Lula. Nosso mandato é passageiro, mas as políticas públicas consistentes são duradouras. Em entrevista após o discurso de Lula, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, insistiu nas críticas à política de juros do governo federal. Não acredito em crescimento sustentável com os juros mais altos do mundo, afirmou Skaf, referindo-se à taxa Selic, hoje em 19,5% ao ano. O coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Construção Civil da entidade, José Carlos de Oliveira Lima, cobrou a diminuição do custo Brasil e uma política industrial concreta por parte do governo Lula. Além de ouvir queixas dos empresários, o presidente enfrentou tímidas manifestações durante seus compromissos. ### Lula diz que não tem paixão pela reeleição O presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocou o tom de seu discurso, que na manhã de ontem foi centrado na política econômica, para tratar de reeleição. Embora tenha afirmado que prefere ficar em seu apartamento em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) com a primeira-dama em vez de concorrer à Presidência da República, Lula disse deverá discutir os números positivos de seu governo e o povo deverá decidir se quer ou não sua reeleição. Agora, eu não estou discutindo reeleição. Essa coisa a gente não quer, a gente constrói. Uma hora vamos sentar para eu passar os números de meu governo e o povo é que irá decidir. Vocês podem ter certeza de que, assim como vocês nunca se arrependeram de ter me eleito o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, vocês também nunca se arrependerão de ter me elegido presidente da República, declarou o presidente, que participou ontem da abertura do 5º Congresso Metalúrgicos do ABC. No sindicado, ele lembrou de números positivos em programas sociais desenvolvidos em seu governo. O presidente também lembrou que desde 1968 participa de atividades do sindicato e que mais da metade de sua vida freqüentou o mesmo ambiente. Citando a importância da entidade, ele ressaltou que foi do sindicado que saíram o presidente da República e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). Houve uma evolução na política brasileira. E nós chegamos porque aprendemos a fazer o jogo democrático, declarou o presidente. Jogo errado Lula também lembrou a perda na Câmara dos Deputados, com a eleição do então deputado Severino Cavalcanti para a presidência da Casa. Quando a gente vacila, a gente perde. Em fevereiro, perdemos a presidência da Câmara porque nós jogamos errado. O presidente ressaltou ainda a importância do líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), e do líder do governo no Senado Aloizio Mercadante (PT-SP), para a provação de projetos considerados importantes para o governo.

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