Nacional
Lula teme repercussão internacional
O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, 59, que completa hoje onze dias em greve de fome contra a transposição das águas do rio São Francisco, disse ontem que o governo federal sinalizou com a possibilidade de atrasar o início da obra por medo da repercussão internacional do caso. Sempre soube que o governo está mais com medo da repercussão internacional do que de mim, afirmou. Isso desgasta muito o governo, as pressões políticas, as repercussões. É isso o que eu tenho dito, declarou. Cappio leu ontem a reportagem da Folha de S.Paulo sobre a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de suspender o projeto para negociar o fim do jejum. Depois, reafirmou que só aceitará discutir o encerramento da greve de fome após receber um documento do presidente, em mãos, assinado por ele, direitinho. Quero saber os termos do documento. Nada vai me demover, enquanto não recebê-lo, disse. No sábado passado, o bispo recusou uma proposta de diálogo com Lula, feita a ele por um emissário do presidente. Sobre as críticas a sua conduta, classificada de irresponsável e autoritária por Lula e alguns ministros em reunião na segunda-feira em Brasília, o religioso foi diplomático. Estamos numa nação democrática. Eles têm direito de lançar o seu ponto de vista. O bispo aguardava ontem a visita do ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais) à capela na zona rural de Cabrobó (600 km de Recife, PE), onde pratica o jejum. Apesar de ter anunciado que estava embarcando para Cabrobó (PE) nesta quarta-feira, o ministro só deve embarcar às 8h de hoje. A explicação oficial é que a viagem foi adiada por causa das votações no Congresso, que exigem a presença do ministro em Brasília. O esquema para a viagem já está montado. Pela primeira vez desde o início da greve de fome, Cappio reclamou de dores no corpo e dificuldades para respirar. Ele foi atendido por uma equipe médica da Secretaria da Saúde de Cabrobó, que não constatou problemas graves. Segundo o médico que o atendeu, Francisco Bruno Matias Figueiredo, 27, o bispo perdeu quatro quilos desde que iniciou o protesto.