Nacional
OAB não quer pizza no Congresso
| Folhapress São Paulo O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, afirmou ontem que a entidade não vai aceitar que os políticos envolvidos no escândalo do mensalão saiam impunes após as investigações promovidos pelo Congresso Nacional. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, Busato declarou que a OAB, ao pressentir cheiro de pizza, estará pronta para tomar todas as medidas possíveis para garantir a punição para os culpados. Não pactuaremos com qualquer tipo de medida procrastinatória, que iniba a capacidade punitiva do Congresso Nacional. É hora de aproveitarmos o limão para fazer uma limonada, afirmou ele. Para Busato, há claramente uma tentativa de minimizar a crise política que foi levantada pela própria base governista e que forças de dentro tentam encobrir as revelações já feitas pelas CPIs. O presidente da OAB ainda afirmou que o deputado federal e ex-ministro José Dirceu deve ser cassado. As manobras do ex-ministro são manobras em desespero de causa e o parlamentar foi definitivamente condenado pela opinião pública brasileira porque ele representou toda essa podridão, esse porão, esse mar de lama que ocorreu no Poder Executivo. Na terça-feira, a Mesa Diretora da Câmara aprovou o relatório da Corregedoria da Casa que recomenda a abertura de processo disciplinar contra 13 deputados envolvidos no suposto esquema do mensalão. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), deve agendar para a próxima terça-feira a instauração dos processos. A partir daí, os acusados não podem renunciar ao mandato como forma de escapar à inelegibilidade até 2015. ### Política econômica não é coisa de Deus, diz arcebispo No dia de Nossa Senhora Aparecida, o governo Lula foi alvo de críticas durante missa em uma praça em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, com cerca de 3.000 fiéis. O arcebispo metropolitano, dom Walmor Azevedo, disse que a política econômica não é coisa de Deus e afirmou que, se o Executivo não cumprir o acordo do rio São Francisco, será o fim do governo. D. Walmor comentou, após a celebração, a declaração do vice-presidente da República, o católico José Alencar (PMR, ligado à Igreja Universal), de que o governo teria feito pacto com o diabo em relação aos juros altos, que inibem o crescimento econômico. Toda vez que a organização ou a remodelação do modelo econômico não leva em conta os mais pobres, nós podemos dizer que isso não é de Deus. Porque tudo que é de Deus é por aqueles que são mais simples, mais fracos e mais pobres, disse o arcebispo. Para d. Walmor, as mudanças se processam com a participação de toda a sociedade. Nós estamos diante de um quadro que exige de todos nós um exercício de cidadania diferente, não basta só o presidente da República, alguns parlamentares. É preciso [exercício] dos pastores da igreja, de cada cidadão mais simples e mais comum para mudar essa estrutura. Todos pedem mudanças. Na missa, que durou quase duas horas, d. Walmor defendeu na sua homilia a revitalização do rio São Francisco e se posicionou contra o projeto de transposição defendido pelo governo, que alega necessidade de levar água para a população pobre do semi-árido nordestino. Após a missa, o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte afirmou esperar do governo o cumprimento do acordo com o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio. Segundo Cappio, que jejuou por onze dias contra a transposição, foi acordado a suspensão das obras de transposição até que haja um consenso. Para d. Walmor, o não-cumprimento decretará o fim da gestão Lula. Nós esperamos que o governo cumpra. Se o governo não cumprir, eu acho que é o fim do governo. O governo pode cumprir com o diálogo amplo na sociedade, com a participação de todos. É o mínimo que esperamos.