Nacional
Senador do P-SOL ganha
| JB ONLINE Brasília O senador Geraldo Mesquita Júnior (P-SOL-AC) recolhe 40% dos salários de servidores lotados em seu gabinete no Senado. A denúncia foi publicada ontem pelo Jornal do Brasil. O mensalinho de Geraldinho como o senador é chamado é confirmado em três conversas telefônicas entre a chefe do escritório do senador no município de Sena Madureira, a assistente parlamentar Maria das Dores Siqueira da Silva conhecida como Dóris e o ex-assistente parlamentar Paulo dos Santos Freire. Geraldinho admitiu anteontem a existência de acordo ilegal com os servidores, segundo o JB. Paulo foi demitido por Geraldinho em janeiro, por reclamar do confisco mensal. Foi o próprio Paulo quem decidiu, no último sábado, gravar as conversas com Dóris. Em janeiro do ano passado, Geraldinho contratou o rapaz, que ganhava em torno de mil reais mensais líquidos, na condição de entregar todo mês R$ 410,00 ao senador. Paulo diz que ficava só com R$ 600 mensais. Dóris afirma nas gravações que continua até hoje tendo confiscos mensais em seu salário, com os quais quita as despesas do escritório. Desempregado e vivendo de bicos com a mulher e a filha menor, dizendo ??passar necessidades??, Paulo decidiu implodir o acordo?? informal com o senador. Tô passando fome Na primeira conversa com Dóris, no sábado, Paulo reclama que está desempregado e pede a ela que ajude a fazer contato com o senador para receber os R$ 5 mil confiscados ao longo de um ano de trabalho. Eu tô passando até fome?? - suplica Paulo à colega. Dóris mostra total conhecimento do esquema do mensalinho e promete receber Paulo na segunda-feira. A segunda conversa, gravada na última segunda-feira, é ainda mais esclarecedora. Paulo liga para cobrar a reunião com o senador e Dóris o acusa de fazer chantagem. Dóris lembra que ele fez um acordo com o senador para só ficar com R$ 600. ### Todo mundo fazia esse tipo de acordo Ainda no segundo telefonema gravado, Paulo sugere que Dóris não quer entrar em contato com o senador Geraldo Mesquita por ser ela a autora do acordo. Ela fica irritada. Então tu liga para o senador, porque eu não sou nenhuma irresponsável nem mentirosa. Se eu fiz daquele jeito, foi porque o senador mandou responde Dóris. Dóris reproduz até as frases que Geraldinho pronunciou antes de autorizar o fechamento do acordo com Paulo. Geraldinho, antes de fechar o acordo, perguntou se ela confiava e botava a mão no fogo pelo novo auxiliar. Dóris afirma que conversou com Neto??, primo de Geraldinho, sobre o acordo. O senador sabia, sim, desse acordo e quem mandava a prestação de contas era você responde Dóris. De fato, era Paulo quem controlava o computador do escritório de Geraldinho e fazia toda a planilha de custos. Era no Excell que o rapaz descontava todo mês cerca de 40% de seus vencimentos. Dóris fica ainda mais irritada quando Paulo faz referência à sujeira e corrupção no escritório do senador. Nesse momento, Dóris admite que a cobrança atinge todos os servidores. Você aceitou porque você quis. Você não foi obrigado a aceitar esse acordo não. E todo mundo fazia esse tipo de acordo. Todo mundo. Aquilo não era um contrato. Você sabia disso. Aquilo era um cargo. E cargo se negocia responde Dóris. A chefe do escritório é ainda mais cristalina sobre o valor do mensalinho. É quando Paulo responde que não está fazendo chantagem e que só está reivindicando seu direito de receber o salário. Você entrou aqui com o direito de ganhar 600 reais por mês. Isso aí você ganhou todo mês. Eu é que fui burra em confiar em ti. Eu fui burra, idiota diz Dóris, nesse trecho da gravação. ### Heloísa pede investigação da denúncia A presidente do P-SOL, senadora Heloísa Helena (AL), protocolou ontem no Conselho de Ética do Senado um requerimento pedindo apuração das denúncias de que seu colega de partido, o senador Geraldo Mesquita (AC), ficaria com 40% dos salários de servidores de seu gabinete, segundo matéria do Jornal do Brasil. O próprio senador enviou ao Conselho um ofício se colocando à disposição e pedindo investigações. Tendo em vista matéria atribuindo a mim fatos que não correspondem à verdade, venho me colocar à disposição do Conselho de Ética e pedir que o Conselho promova investigações, diz o ofício de Geraldo Mesquita, no qual ele afirma ter certeza de que não cometeu ato que possa configurar quebra de decoro parlamentar. Surpresa e chateada Heloísa Helena disse que ficou surpresa com a denúncia contra o senador Geraldo Mesquita, único senador do partido além dela, e disse que é preciso um esclarecimento de Geraldo Mesquita no Conselho de Ética, independentemente da decisão do partido sobre o caso. Estou surpresa e chateada com a denúncia, que precisa ser esclarecida pelo Conselho de Ética, órgão competente para investigar esse tipo de denúncia afirmou a presidente nacional do P-SOL. No plenário, o senador Geraldo Mesquita disse estar absolutamente tranqüilo em relação às denúncias publicadas na imprensa, às quais atribui a uma armação de adversários políticos no Estado do Acre.