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Não tem vantagem de 10 pontos

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| GLOBO ONLINE Rio de Janeiro O Ibope divulgou ontem a segunda pesquisa de intenção de votos para o referendo do próximo domingo. Os eleitores responderão se o comércio de fogo e munição deve ser proibido no Brasil. Pelo resultado apurado pelo instituto, o não está 10 pontos na frente. Na primeira pesquisa, divulgada no dia 14, os que disseram que responderiam não à pergunta somava 49%, e agora são 51%. Os que disseram sim eram 45% e agora 41%. Os que não souberam ou não opinaram eram 6% e agora 8%. A margem de erro da pesquisa divulgada é de 2 ponto percentuais, para mais ou para menos. Com a margem de erro, o não ficaria entre 49% e 53%, e o sim entre 39% e 43%. A pesquisa do Ibope também revelou como homens e mulheres votariam no referendo. Dos homens, 58% disseram não e 36%, sim. O número de votos brancos, nulos e eleitores indecisos fica em 5%. Já entre as mulheres, 45% disseram não, e também 45% disseram sim. O índice dos votos brancos, nulos e de eleitoras indecisas é o dobro do que foi registrado entre os homens, 10%. A pesquisa registrou que o Sul é a região em que o não vence com maior folga, 74% contra 22%. Votos brancos, nulos e eleitores indecisos somam 4%. O Ibope calculou também os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos. Por este critério, 55% disseram não e 45% disseram sim. O instituto ouviu 2002 eleitores, em 143 municípios, entre terça e quinta-feira. Depois de participar das comemorações do Dia do Aviador ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis revelar qual será seu voto no referendo sobre o comércio de armas amanhã. Já dona Marisa abriu seu voto a favor da proibição do comércio de armas, ao fazer o número dois com os dedos antes de entrar no carrro oficial. Indagada se votaria sim ou não no referendo, ela fez o gesto. Um pouco antes, bem-humorado, Lula fugiu da pergunta: Vocês vão votar o quê? O voto é secreto, disse o presidente, que em artigo publicado pela imprensa afirmou que é a favor do sim. Mandela O advogado sul-africano Don MacRobert, que representa Nelson Mandela, enviou ao gabinete do deputado federal Alberto Fraga (PFL-DF) uma carta, em que afirma que tomará as medidas legais necessárias se, no prazo de 48 horas, não houver uma confirmação de que as referidas ações ofensivas contra o Sr. Mandela não mais serão veiculadas ou usadas. A assessoria do deputado informou que a imagem de Mandela foi usada somente no primeiro programa da campanha eleitoral gratuita. ### ONU diz que Não seria retrocesso O representante da ONU no Brasil, Carlos Lopes, afirma que uma vitória do Não no referendo de amanhã seria um passo atrás, mas não impediria a continuidade do processo de desarmamento no País. Embora a votação não favorável (à proibição do comércio de armas) seja um pequeno retrocesso, ela certamente não pára a luta contra o uso de armas e por uma melhor regulamentação dos fluxos do uso de armas, disse Lopes. De acordo com o representante das Nações Unidas, a organização apóia o desarmamento da população civil no Brasil e entende que a proibição do comércio de armas no País seria um fator positivo para o cumprimento desse objetivo. Nós combatemos o uso de armas onde nós podemos, afirma. O Brasil conta com 40 mil homicídios por ano dos 200 mil que acontecem no mundo, e mais de 80% são provocados por armas de fogo. Nascido em Guiné-Bissau, o sociólogo Carlos Lopes vai deixar o cargo que ocupa no Brasil no fim do mês para se dedicar, a partir de novembro, à função de assessor político do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em Nova York. Na opinião de Lopes, mesmo se a população brasileira rejeitar a proibição do comércio de armas e munição, o País ainda conta com as outras restrições aprovadas pelo Congresso. Existe um Estatuto do Desarmamento, que foi aprovado no ano passado, que já é bastante avançado, um dos mais avançados do mundo, afirma o funcionário da ONU. O representante das Nações Unidas no Brasil também destacou a importância da realização, pela primeira vez na história, de um referendo no País. Carlos Lopes lembra que, do ponto de vista dos números, a votação do próximo domingo será provavelmente o maior referendo da história. É difícil prever o que vai ser a votação dos brasileiros, acrescenta o representante da ONU. ### Resultado deve ser anunciado amanhã Mais de 120 milhões de eleitores estão aptos a votar amanhã para decidir se o Brasil deve ou não proibir o comércio de armas e munição no território nacional. A expectativa é de que o resultado seja anunciado ainda neste domingo. O referendo opõe duas visões bem distintas sobre o combate à violência no País. Quem é a favor vê na medida uma maneira de limitar o acesso às armas e, assim, reduzir o número de homicídios. Quem é contra diz que a proibição serve apenas para estimular o comércio ilegal e deixar cidadãos desarmados diante de criminosos com armas. A frente parlamentar que é contra a proibição do comércio de armas afirma ainda que a medida violaria direitos humanos básicos como o direito à legítima defesa e o direito à propriedade. Retirar do cidadão o direito dele se defender não é razoável, e é por isso que nós vamos dizer o ?Não? , diz o deputado federal Alberto Fraga (PFL-DF), presidente da frente. O antropólogo Rubem Cesar Fernandes, coordenador-geral da ONG Viva Rio, que defende o voto Sim no referendo, diz que o objetivo da proibição é fechar as portas de fornecimento de armas de fogo para a sociedade. Nosso argumento principal é a rejeição às armas de fogo. As armas matam muito no Brasil.

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