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Líder do PFL compara Lula a Pinóquio
| Adriano Ceolin, Leonardo Souza, Humberto Medina e Luciana Constantino Folhapress Brasília - A oposição reagiu ontem com ironia à entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa Roda Viva, exibido anteontem à noite pela TV Cultura. Lula foi chamado de Lulóquio - numa referência à fábula do boneco de madeira mentiroso - por pefelistas e classificado como comediante por tucanos. Saíram em defesa do presidente o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Para mim, a melhor definição do desempenho do presidente foi feita pelo deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS). De fato, Lula deveria mudar seu nome para Lulóquio, disse o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia. O presidente se segurou no primeiro bloco do programa, mas depois mentiu muito, afirmou. O líder pefelista citou como exemplo o trecho da entrevista em que Lula nega que sua campanha tenha sido financiada por recursos não informados à justiça eleitoral, o chamado caixa dois. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, defendeu a argumentação de Lula. As apurações iniciais podem até ter indicado que houve caixa dois, mas isso ainda não foi esclarecido pelas CPIs. O presidente Lula está certo, disse. Apesar de não chamar Lula de mentiroso diretamente, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), sugeriu que o presidente inventa fatos. Daqui a pouco, o Lula vai dizer que quem descobriu o Brasil não foi Pedro Álvares Cabral, mas foi ele mesmo. De repente aparece como autor de tudo, disse Serra. Até as paredes do Congresso sabem que existiu [o mensalão], completou. Na entrevista, Lula disse ter certeza de que não existiu a prática no Congresso. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), fez discurso na tribuna para criticar Lula. Para o tucano, Lula comportou-se como um refém dos acusados de implementar o esquema do mensalão. Ele é rei do lugar comum e, depois que deixar a presidência, terá emprego certo como comediante, disse o senador. ### Ministro destaca pontos positivos de entrevista FOLHAPRESS O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que assumirá a presidência do partido no próximo dia 18, ironizou a entrevista. Impressionou-me como ele desmente a realidade com tanta veemência, tanta convicção. Não tem mensalão nem caixa dois, ironizou. O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais) não chegou a comemorar a atuação do presidente Lula no Roda Viva, mas tentou destacar pontos em que Lula teria sido bem-sucedido. O presidente colocou a opinião dele. Nunca vou dizer que é a palavra final. Porque, a cada momento, a cada revelação, evidentemente o presidente emitirá outra opinião, disse. Deputado em primeiro mandato, o oposicionista Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) avaliou que a atuação de Lula no programa ficou abaixo do que se espera de um presidente da República. Foi lamentável. Lula não esteve à altura de um presidente ou de muitos políticos do Brasil, disse. Parece que as coisas que foram reveladas pelas CPIs aconteceram em outro planeta, conclui. Assumindo uma postura mais comedida, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a entrevista de Lula foi boa na forma, mas fraca no conteúdo. O presidente falou pouco e negou fatos que já são conhecidos. O Lula não deveria ficar bravo com jornalista. Deveria ficar bravo com os fatos, disse o governador. Sem mandato desde que renunciou em setembro passado, Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara e que ontem estava no Congresso, não deixou de comentar a atuação de Lula. Ele saiu-se razoavelmente bem. Poderia ter sido melhor se tivesse feito isso há dois meses. A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) disse que não assistiu à entrevista, pois tinha coisa mais importante para fazer. Ela contou que vai assistir à fita com a gravação do programa. ### Para José Dirceu, defesa de Lula foi excelente O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP) disse ter considerado excelente a ajuda que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em entrevista ao programa Roda Viva, anteontem, declarou-se seu defensor. Gostei da entrevista, excelente. Eu fiquei muito satisfeito como cidadão, como parlamentar. Acredito que o presidente falou aquilo que é verdade, não existem provas contra mim. Se me cassarem, vai ser uma cassação política, portanto injusta, declarou. O ex-ministro também engrossou a ofensiva do governo contra os partidos de oposição, dizendo que eles também serão julgados pela população no ano que vem, por declarações polêmicas dadas nos últimos dias. Dirceu referiu-se às ameaças de parlamentares como o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), e do deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), de dar uma surra no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também lembrou que a deputada federal Zulaiê Cobra (PSDB-SP) classificou Lula de bandidão em encontro partidário no último fim de semana. Dirceu acredita que, em comparação, é branda a afirmação de Lula de que as denúncias de transferência de recursos do Banco do Brasil para o PT são hilariantes.