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Governo falha, e oposição prorroga CPI

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| Felipe Recondo Folhapress Brasília - A CPI dos Correios vai mesmo ser prorrogada até abril de 2006. A Secretaria da Mesa Diretora do Senado confirmou ontem à tarde a decisão e, com isso, o governo sai mais uma vez derrotado da disputa com a oposição e terá de enfrentar os trabalhos da CPI em pleno início da campanha eleitoral para a presidência. A oposição tomou a iniciativa de pedir o prorrogação da CPI, que encerraria seus trabalhos já em dezembro. Ao governo não interessa esticar a CPI. Já para a oposição, dar continuidade aos trabalhos é sinônimo de aprofundamento das investigações e possibilidade de vitória em 2006. Os aliados do governo ainda tentaram reverter a situação. Apelaram para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A batalha envolveu um complexo jogo de inclusão e de retirada de assinaturas favoráveis e contrárias à continuidade dos trabalhos da comissão, que seria encerrada em dezembro caso não fosse prorrogada. Diante desse quadro, governistas e oposição traçaram estratégias distintas para atingir seus objetivos. O Congresso tinha até meia-noite desta quinta-feira para receber as 171 assinaturas necessárias para prorrogar a CPI. O governo articulava entre os congressistas a retirada de nomes do requerimento. A oposição, em contrapartida, reunia nomes para endossar o pedido. Embora tenha conseguido retirar 66 nomes do requerimento de prorrogação e, com isso, inviabilizar a prorrogação da CPI, os governistas erraram ao antecipar a estratégia e tiveram pouco tempo para comemorar. Às 23h37 os aliados do governo apresentaram sua lista de nomes que retirariam apoio à prorrogação. Já a oposição esperou até o último minuto, 23h59, para incluir nomes, derrotando assim a estratégia dos aliados. Wladimir Costa (PMDB-PA) e Carlos Willian (PMDB-MG), que articulavam com o governo, estavam nas duas listas. Mas, como a Mesa considera a última decisão como sendo válida, os deputados, que estavam com o governo, acabaram dando votos para a oposição. ### Parlamentares criticam rolo compressor Maria Lima e Isabel Braga O Globo Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros, confirmou na tarde de ontem ao secretário-geral da Mesa do Senado, Raimundo Carreiro, que a CPI dos Correios está prorrogada por 120 dias. Segundo Carreiro, o presidente do Senado determinou que fosse levada em consideração a cronologia dos fatos e a conferência das assinaturas, realizada pela manhã, confirmando a vitória da oposição, que apresentou o requerimento com 171 assinaturas às 23h59m desta quinta. Com a prorrogação, se os parlamentares trabalharem durante o recesso, a comissão será encerrada em abril do ano que vem. Caso haja interrupção, os trabalhos vão até junho de 2006. Críticas O deputado Alberto Fraga (PFL-DF), que acompanhou o trabalho da Secretaria-Geral, comemorou a vitória da oposição e criticou a ação do governo. O rolo compressor do governo engripou. Alberto Fraga criticou ainda a ação de parlamentares que retiraram a assinatura. Eles passam a impressão de maracutaia e negociata com o governo. Não fica bem para o Parlamento, é um constrangimento. A liderança do PSDB no Senado divulgou nota com críticas à ação do governo, que chamou de inescrupulosa. O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), também comemorou a confirmação da prorrogação da CPI. E condenou a estratégia do governo para impedir a extensão dos trabalhos, retirando assinaturas do requerimento. Queda e coice. Além de se expor trabalhando pela retirada de assinaturas, tornando claro que a entrevista foi uma farsa, vão ter de se submeter às consequências da derrota, disse o senador pefelista.

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