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Exército afasta sargentos após denúncia

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| Mari Tortato Folhapress Curitiba - O presidente do Inquérito Policial Militar (IPM) designado, tenente-coronel Ilton Barbosa, identificou e mandou transferir do 20º Batalhão de Infantaria Blindado do Exército, de Curitiba, 12 sargentos que aparecem no vídeo exibido pelo Fantástico como participantes de sessões de tortura na 2ª Companhia de Fuzileiros. Do grupo de afastados também fazem parte os cinco supostos torturados. Todos devem responder ao IPM na Justiça Militar por suspeita de tortura. A sindicância interna para apurar a denúncia corre paralela, no campo administrativo. Uma condenação por tortura pode representar dois anos de prisão. A expulsão do Exército é outra punição levada em conta. No início da tarde de ontem, o oficial da Comunicação Social da 5ª Região Militar e 5ª Divisão do Exército - que abrange Paraná e Santa Catarina - major Carlos Augusto Sydrião, disse à reportagem que o presidente do IPM sugeriu ao Ministério Público Militar a prisão temporária dos 12 identificados. No final da tarde, a intenção foi abandonada. Foi um pedido de procedimento precipitado, disse Sydrião. Segundo ele, em um contato informal com a Procuradoria Militar esse caminho foi desaconselhado. Não havia requisito básico - como o flagrante de tortura - para a prisão do grupo. O inquérito tem prazo de 40 dias para ser concluído. Ao final, o presidente do inquérito indicia ou não os investigados. O porta-voz da 5ª RM não quis comentar a versão dos sargentos, de que o trote era brincadeira consentida. Isso será apurado no seu tempo. Também não comentou a constatação da reportagem de que no grupo estão as supostas vítimas. Disse, porém, que a possibilidade de todos, agressores e agredidos, responderem de forma igual ao IPM existe. A primeira providência ocorreu pela manhã. O comandante da 5ª Região Militar e 5ª Divisão do Exército, Túlio Cherem, afastou o tenente-coronel Ernani Lunardi do comando do 20ª Batalhão. Sem saber que estava fora do posto, Lunardi chegou a divulgar nota e dar entrevistas em que disse não saber do trote e que ficou surpreso e revoltado. Quero deixar bem claro que isso aí [o trote] foi de um grupo de sargentos antigos. Os meus soldados aqui são tratados com a dignidade que eu quero para meu filho, caso ele venha a servir como soldado no Exército, disse. Os trotes violentos não teriam passado de brincadeiras consentidas. Foi o que disseram à reportagem oito dos 12 terceiros sargentos da 2ª Companhia de Fuzileiros de Curitiba identificados nos vídeos que foram ao ar. Giovani Moscatelli e Marcelo Salles Correa, dois dos supostos aspirantes submetidos à tortura dos veteranos, estavam no grupo que deu a entrevista e sustentaram a mesma versão. Disseram também que não são novatos e que se submeteram à brincadeira?? voluntariamente. E que em várias brincadeiras?? figuraram no papel invertido. Na versão dos oito e de um tenente e um capitão que acompanharam a conversa, o ferro de passar que foi colocado nas orelhas dos novatos?? era frio. Os choques elétricos seriam de baixa amperagem. As sessões de afogamento, porém, contêm veracidade. Um dos sargentos diz que o grupo queria testar o quanto agüenta uma pessoa que está se afogando??. O grupo se exalta quando a pergunta é sobre se a inspiração vem das prisões de Abu Ghraib (Iraque), em que soldados do Exército norte-americano torturavam prisioneiros iraquianos e as sessões eram filmadas. Aqui ninguém sai ferido nem está preso??, reage o mais falante. Ele não se identifica e seu nome ainda não se tornou público. As imagens mostradas pela reportagem de TV foram feitas pelo próprio grupo, em câmera digital, no dia 25 de agosto, em que se comemorava o Dia do Soldado. Os sargentos dizem ter feito apenas uma cópia, supostamente roubada e cedida à Globo por alguém do quartel. O que apareceu na reportagem é um mau entendido. As imagens foram forçadas e distorcidas pela edição, diz o sargento não identificado. A Globo negou que tenha forçado na edição. Disse que a tortura foi reconhecida pelo Exército em uma nota no final da reportagem e que dois especialistas atestaram a veracidade das imagens. ### Alencar diz que fato foi trote de mau gosto Pedro Dias Leite e Eduardo Scolese Folhapress Brasília - O ministro da Defesa, José Alencar, minimizou o episódio de tortura a terceiros-sargentos do Paraná, gravado pelos agressores, e reduziu a questão a um trote de mau gosto, apesar de o comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, ter afastado ontem o comandante do 20º Batalhão de Infantaria Blindado do Exército, tenente-coronel Ernani Lunardi Filho. A decisão do Exército foi tomada em razão da gravidade das denúncias apresentadas anteontem no Fantástico, da TV Globo. O Exército anunciou a abertura do Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar torturas praticadas por terceiros-sargentos veteranos contra recém-formados no quartel, em Curitiba, que era comandado por Lunardi Filho. Questionado se considerava a prática um absurdo, José Alencar chegou a questionar o grau das agressões: Considero que há muitos trotes de mau gosto e uns até perigosos. Esse, eu não sei qual o grau, parece que aquele ferro que foi levado ao ouvido da pessoa era frio né, é mais psicológico. Mas parece que houve um choque no umbigo do sargento, não sei se foi choque mesmo. Então por isso tem de abrir o inquérito para se apurar, é isso que se está fazendo. Alencar comparou o episódio, em que os militares novatos eram submetidos a maus tratos e afogamentos, a um trote que ele e sua mulher quase sofreram num navio. Quando atravessei o Equador pela primeira vez de navio, queriam que eu e minha mulher passássemos por um trote que era um banho de macarrão numa banheira, com molho de tomate, em 1967. Então, eu me recusei e recebi uma sonora vaia, disse o vice-presidente da República, que acumula o posto de ministro da Defesa.

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