Nacional
Lula diz que é candidato e depois nega
| Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite Folhapress Brasília - Em entrevista a emissoras de rádio ontem no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, num lapso admitido por ele mesmo, que será candidato à reeleição no ano que vem. Vou, sim, disputar as eleições. Colocando-se como a figura mais democrática do País, o presidente aproveitou a entrevista para finalmente sinalizar seu apoio público ao ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), alvo de denúncias de corrupção por ex-aliados e de pressões, vindas principalmente da colega Dilma Rousseff (Casa Civil), por mudanças nos rumos da política econômica. Se vocês querem que eu diga, eu vou repetir aqui: o Palocci é e vai continuar sendo o meu ministro da Fazenda. O apoio explícito a Palocci, aguardado desde a semana passada, incluiu uma ampla defesa do modelo econômico, chamado por Lula de exitoso, e a afirmação de que o ministro permanecerá como titular da Fazenda. O papel do Palocci é tentar segurar o máximo [a liberação de recursos] porque ele sabe que, se não segurar, a ?vaca vai para o brejo?. Depois de ter afirmado que será candidato à reeleição, Lula recuou e disse que não vai tomar essa decisão agora. O presidente reconheceu que cometeu um ato falho ao dizer que será candidato nas eleições de 2006, mas acabou apresentando realizações do governo que o credenciariam a concorrer. Foi um ato... A minha convicção é que eu disse se for para a disputa. Foi sem querer, porque não decidi se sou candidato. Não tenho nenhum interesse em decidir isso agora, disse Lula, ao responder à pergunta do deputado federal Sandes Júnior (PP-GO), da rádio Terra de Goiania. No final da resposta, o presidente disse que, se for candidato, terá resultados em 2006 melhores que os de 2002 - último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. O anúncio da candidatura à reeleição foi feito em resposta a pergunta sobre a demora para tomar esta decisão. São com essas armas que, se eu tiver que ser candidato, eu vou para a eleição. Gosto do debate, adoro um debate, gosto de polêmica. É bonito. Tenho dito que não tenho pressa. Meus adversários que têm pressa. Têm demonstrado um certo nervosismo por 2006. Eu não estou porque acho que o povo brasileiro já foi generoso comigo. ### FHC diz que falta decência ao governo Brasília - Último a falar na VIII Convenção Nacional do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez um discurso duríssimo e cheio de críticas ao governo, mas não citou o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem de qualquer petista. FH disse que o mínimo que se espera de qualquer governo é decência e afirmou que o PSDB vai ganhar as eleições de 2006 para restituir a decência que teria sido esquecida durante o governo atual. Vamos ganhar as eleições em 2006 e restituir o que se espera de um governo: a decência. Decência implica em dizer basta. E o Brasil vai dar um basta ao que aconteceu nesses anos, discursou. Numa crítica velada a Lula, FH disse que não adianta dizer que outros também erraram no governo e afirmou que é preciso apontar o culpado para que ele seja preso. O ex-presidente disse que nunca viu tanta corrupção num governo e que viu a queda de muitos presidentes, mas nenhum deles foi acusado de corromper as instituições. Lugar de ladrão é na cadeia e há de dizer quem é o ladrão, não adianta jogar na vala comum e dizer que todos fizeram a mesma coisa. Que se aponte o culpado e coloque na cadeia. Nunca vi uma corrupção como a atual, corrupção de instituições, disse. Presidenciáveis Geraldo Alckmin e José Serra, as duas estrelas do tucanato paulista que travam uma queda de braço pela candidatura presidencial, ontem trocaram afagos em público e atacaram ferozmente o PT. Foi do governador Alckmin, discursando com voz rouca e em alguns momentos falhando, a única referência, ainda que indireta, à acusação de que o PT recebeu financiamento ilegal de Cuba e Angola. Os escândalos do governo do PT saltam de continente a continente. São escândalos planetários, extrapolam até mesmo as divisas [sic] do nosso País, disse, em fala de improviso. Em discurso que leu, Serra foi mais contundente que o governador e acusou o PT de trocar a ética da convicção pela ética da conveniência. O partido que se dizia diferente hoje se defende dizendo que somos todos iguais na política. Mas nós não aceitamos a semelhança. O PT propõe a generalização do mal na vida pública, disse o prefeito de São Paulo.