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Palocci desconversa sobre demissão

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Gustavo Patu, Chico de Gois e Luciana Constantino Folhapress Brasília - Em novo depoimento no Congresso, desta vez na Câmara dos Deputados, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) se disse menos importante que a política econômica e foi evasivo ao responder a insistentes questões sobre sua permanência no cargo. Afirmou, porém, estar empenhadíssimo em manter as diretrizes fixadas por sua pasta. O senhor fez uma pergunta que é a única que eu não posso responder, sobre a minha permanência no governo. Só o presidente Lula pode dar essas respostas, disse, sorrindo, ao deputado Fernando Coruja (PPS-SC). Vou colaborar com o presidente até o momento em que ele achar que estou ajudando, a ele e ao País. Conforme a reportagem havia informado, Palocci pediu demissão na quinta-feira passada, o que não foi aceito pelo presidente, que ontem afirmou que o ministro está firme no governo. O ministro, desgastado por acusações de corrupção e críticas à política econômica encabeçadas por sua colega da Casa Civil, Dilma Rousseff, reivindica a recomposição de seu poder no governo. Na Câmara, porém, Palocci foi ameno ao falar das divergências com Dilma e elogioso em todas as menções a Lula. Estive nesses últimos dias com o presidente Lula e tive um longo diálogo com ele sobre a política econômica, sobre a condução do País, as questões que todos nós enfrentamos, e o presidente Lula tem reafirmado muito fortemente as decisões de seu governo. Vocês sabem que eu tenho uma relação muito próxima com o presidente e considero muito o lado humano do presidente Lula. É uma pessoa que durante todos esses três anos olhou com atenção a política econômica e o tempo todo destacava aspectos da política que se refletiriam ou não nas pessoas mais pobres. Num clima mais agressivo que o do depoimento de Palocci ao Senado na semana passada, os deputados da Comissão de Finanças e Tributação tentavam em vão arrancar do ministro pistas sobre sua disposição de permanecer na pasta e respostas aos ataques de Dilma. ### Ministro mostrou-se calmo durante o depoimento FOLHAPRESS Brasília O ministro Antonio Palocci repetiu várias vezes que considera normal haver divergências no governo, disse que Dilma é uma pessoa muito responsável e negou a intenção de elevar o aperto fiscal, principal motivo do conflito com a Casa Civil. Eu estaria fazendo dumping [concorrência desleal] com a oposição se fizesse o que o senhor está pedindo, brincou Palocci. A sério, avaliou que há meias-mentiras e meias-verdades nas versões sobre os atritos internos. Diante das insistências dos deputados, no início da noite de ontem, depois de quase oito horas de depoimento, Palocci afirmou: Não fui discutir meu cargo com o presidente. Não discuti esse assunto, não vou relatar aqui minhas conversas com o presidente, porque não sou indiscreto. Não há nada acontecendo nesse campo. Questionado se sentia confortável no cargo, o ministro usou os elogios recebidos de Lula ontem para sair pela tangente. Estou absolutamente tranqüilo, o presidente Lula de novo ontem reafirmou os princípios da política econômica, disse. Ao longo da audiência, que começou às 10h37 e se encerrou um pouco depois das 20h, o ministro seguiu a linha costumeira de seus pronunciamentos públicos. Não elevou a voz, não demonstrou irritação com as provocações, elogiou o Congresso e a oposição, riu da piadas alheias e fez as suas próprias. Confrontado com a possibilidade de ser substituído pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), um de seus críticos, limitou-se a dizer, sorrindo: O Mercadante é meu líder. Depois, questionado se era conservador, fundamentalista e neoliberal, devolveu: Tenho de escolher entre os três?. Como havia feito no Senado, o ministro aproveitou a audiência para comemorar os resultados da economia, dividindo o mérito com governos anteriores. A outra audiência que o ministro participaria, na comissão que analisa o Fundo para Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundeb), foi adiada. ### Acordo na CPI dos Bingos garante convite a Palocci Adriano Ceolin e Marta Salomon Folhapress Brasília - Oposição e governo entraram ontem em acordo para ouvir o depoimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na CPI dos Bingos até o dia 10 de dezembro. Com isso, o requerimento para sua convocação foi transformado em um convite, aprovado por unanimidade. Palocci, se atender ao convite, terá que assinar termo de compromisso para autorizar uso das declarações como prova legal. O acordo agradou mais o governo que a oposição. Nós não ganhamos, mas também não perdemos. Afinal, não tínhamos votos suficientes para aprovar a convocação, disse o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN). Ficamos satisfeitos com a solução encontrada, afirmou senador Tião Viana (PT-AC). Os governistas afirmam que Palocci já confirmou que irá comparecer à CPI. O fato é que o governo teve êxito ao evitar a ida de Palocci à CPI por meio de um requerimento de convocação. A oposição preferiu não colocar o requerimento em votação hoje porque temia perder. Havia dois votos decisivos: o de Geraldo Mesquita (sem partido-AC) e Augusto Botelho (PDT-RR), afirmou Agripino. Até o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), chegou a defender que o convite seria mais adequado que a convocação de Palocci. Eu pessoalmente preferia o convite, mas não havia consenso. Por isso achei melhor não entrar em desarmonia com a minha base, afirmou. O senador tucano admitiu que a convocação de Palocci poderia provocar repercussões negativas na economia. Como está a bolsa [de valores]? Eu me sinto melhor em não colocar a crise mais à beira do desfiladeiro, disse. A oposição começou a forçar a ida de Palocci à CPI dos Bingos principalmente depois do depoimento do advogado Rogério Buratti, ex-secretário da Prefeitura de Ribeirão Preto. Ele contou que havia um esquema de pagamento de propina na época em que Palocci era prefeito do município. Buratti relatou ainda que o dinheiro foi usado para financiar campanhas políticas do PT.

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