Nacional
Lula pede unidade aos seus ministros
| Pedro Dias Leite e Luciana Constantino Folhapress Brasília - Na última reunião ministerial do ano mais difícil de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou as bases para o embate político do ano eleitoral de 2006: ordenou que todos os ministros se apropriem dos dados positivos do governo e espalhem, na mídia, nos seus Estados, no Parlamento e onde mais forem instados a comparação em todas as áreas com o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). A determinação ficou clara nas palavras dos dois ministros destacados para passar à imprensa o resultado da reunião: enquanto Ciro Gomes (Integração Nacional) fazia questão de dizer que é possível afirmar, com muita segurança, que o governo Lula tem desempenho muito melhor que o anterior em todos os segmentos, Jaques Wagner (Relações Institucionais) repetia que o presidente Lula quer que os ministros dominem o conjunto das realizações do governo para que façam a sua defesa. Um dos poucos parlamentares presentes no Congresso ontem, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que o modelo de reunião proposto por Lula não daria resultado. Esse governo acabou, não é tempo de grande obras e se começar a gastar agora vai gastar atabalhoadamente, disse. A reunião, a 12ª do governo Lula e a quarta deste ano, foi totalmente fechada à imprensa, inclusive com os telefones de todos os participantes fora de alcance para ligações. Ela começou às 9h40 e terminou depois das 19h. No encontro anterior, em agosto, no auge da crise que balançou sua gestão, o pronunciamento do presidente foi transmitido ao vivo pela TV. Ontem à noite, ainda estava previsto um jantar de confraternização na Granja do Torto, com todos os ministros, mulheres e maridos. Ao falar com a imprensa, Wagner e Ciro disseram que o presidente não pediu aos que desejem ser candidatos que deixem o governo antes do prazo legal (31 de março). Teoricamente, o compromisso é de ficar até o fim do governo. Esse assunto deve ser tratado pessoalmente com cada ministro pelo presidente, disse Wagner. Pelo relato, Lula tampouco falou diretamente das divergências públicas entre integrantes do primeiro escalão: apenas pediu unidade, sem mencionar os tropeços recentes, como a discussão entre Dilma e Palocci. De acordo com Wagner, um dos que defendem que Lula anuncie sua candidatura o quanto antes, o presidente voltou a dizer que ainda não decidiu se é candidato. Afirmou que, quando for a hora, revelará sua decisão - apesar de, em outras ocasiões, já ter admitido que vai concorrer no ano que vem, como fez na Europa no mês passado. Wagner e Ciro negaram que a crise - a qual o ministro das Relações Institucionais insiste em chamar de turbulência- tenha sido o fio condutor do encontro. Foi um balanço de 36 meses de gestão, afirmou o ministro da Integração Nacional. A reunião foi aberta por Lula, que depois passou a palavra a Dilma, para a ministra rapidamente informar o formato da reunião. Cada um discorreu sobre sua área.