Nacional
CNI diz que novo acordo é retrocesso
| Cláudia Dianni Folhapress Brasília - Enquanto os argentinos festejaram o acordo de salvaguardas no comércio bilateral com o Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o mecanismo faz o Mercosul retroceder. De acordo com a entidade, o protocolo que criou o Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC), decepcionou o setor empresarial. O mecanismo contraria o espírito da integração do Mercosul e gera um clima de retrocesso no desenvolvimento do bloco, disse o presidente da entidade, Armando Monteiro Neto. O acordo, assinado anteontem, foi uma tentativa brasileira de salvar o Mercosul de uma crise. Em 2005, o déficit da Argentina com o Brasil foi de US$ 3,6 bilhões. O MAC prevê que, se ficar provado que há dano a um setor, o país poderá impor cotas de importação da mercadoria. A CNI defendia o compromisso de não-aplicação de medidas antidumping e outras restrições unilaterais às importações. A entidade queria a adoção de um mecanismo de natureza transitória. Outra questão que preocupa é o desvio de comércio, que é uma coisa a que nós precisamos estar atentos, disse Monteiro Neto. ampliar, se necessário Os chanceleres Celso Amorim e Reinaldo Gargano, do Uruguai, não descartaram a possibilidade de estender o MAC, assinado entre Brasil e Argentina, aos demais sócios do Mercosul, se houver necessidade e se for solicitado. O mecanismo pode ser estendido para os outros países, mas é preciso que eles manifestem interesse. O acordo prevê a possibilidade de inclusão dos outros sócios do Mercosul e, se isso ocorrer, o acordo do bloco vai prevalecer sobre o acordo com a Argentina, disse Amorim. Gargano afirmou que o governo uruguaio vai observar com muito cuidado o funcionamento do MAC para ver se o mecanismo afeta o comércio com Brasil ou com a Argentina. Não estamos descontentes com esse acordo. Para nós o Mercosul é prioridade e esperamos que a Bolívia também ingresse. Segundo Amorim, ele não pediu que o Uruguai fosse incluído no mecanismo. Depois de um ano e meio de discussão, Brasil e Argentina entraram em acordo, por determinação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, para que seja acionado um mecanismo que estabeleça cotas para o comércio de produtos quando houver surto de importação de ambos os lados. As cotas vão durar por três anos e podem ser renovadas por mais um ano. Para o comércio que ultrapasse a cota, incidirá 90% da Tarifa Externa Comum (TEC) cobrada para países de fora do bloco. O objetivo do acordo é dar tempo para fortalecer a indústria argentina. Em resposta às criticas da indústria brasileira, Amorim disse acreditar que o novo mecanismo será usado com moderação. Acredito que a aplicação do MAC será equilibrada e moderada. Segundo ele, o Brasil atendeu a um pedido que a Argentina vinha fazendo de forma muito angustiante há muito tempo. Na avaliação do ministro, o Brasil não tinha razão para negar o pedido, já que o Mercosul é um projeto político, além de comercial, e o Brasil tem superávit que equivale a 30% das exportações para a Argentina.