Nacional
CNBB faz duras críticas ao governo Lula
| Demétrio Weber O Globo, com Agência Brasil Brasília - Ao lançar a Campanha da Fraternidade 2006, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Odilo Pedro Scherer, disse ontem que o governo Lula não atendeu às expectativas de inclusão social geradas na sua eleição. Ele defendeu a revisão da política econômica, a redução da taxa de juros e a criação de empregos. A sociedade tinha uma expectativa maior de haver políticas sociais mais eficazes. Sabemos que os governos têm limites, mas não podemos deixar de dizer que a sociedade tinha expectativa de políticas sociais mais eficazes de distribuição de renda e combate à desigualdade e à pobreza, disse Dom Odilo. Em São Paulo, também ontem, as críticas vieram do arcebispo de São Paulo, Dom Claudio Hummes. Ele criticou o fato de o PIB ter crescido pouco este ano, em 2,3%, um pouco maior do que o do Haiti. O PIB ficou abaixo da esperança e das previsões. A esperança (de que o PIB fosse maior) já não era tão grande, mas existia a expectativa de que fosse mais do que a esperança. Dom Claudio disse que em função do baixo desempenho da economia, este ano o eleitor deve refletir sobre os rumos do País, mas não disse quem a Igreja apoiará nas eleições, dizendo que ela só indica o nome de um candidato em condições excepcionais, o que não é o caso deste ano. Já Dom Odilo Scherer disse que a realidade do Brasil requer que sejam feitas constantes revisões das políticas sociais do governo. Se ao longo do caminho percebe-se que existem camadas da sociedade que não estão sendo suficientemente atendidas pelas políticas sociais, então é preciso rever, afirmou. Dom Odilo também lembrou que o crescimento econômico brasileiro em 2005, de 2,3% do PIB, só foi mais alto do que o do Haiti na América Latina, enquanto os bancos registraram lucros recordes. Ele disse que o Brasil é um paraíso financeiro e que a política econômica é concentradora de renda. O secretário-geral afirmou ainda que os candidatos a presidente serão cobrados a apresentar suas propostas de geração de empregos e de inclusão social. Os candidatos serão fortemente cobrados. A população quer saber o que de fato será feito para gerar trabalho, renda e até para reduzir a sangria de recursos que acabam nas mãos de grupos financeiros, disse. ### Bolsa-Família é insuficiente, diz bispo Brasília - O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Odilo Pedro Scherer, também disse ontem que a política de assistência social, em que se destaca o programa Bolsa-Família, é positiva, ainda que insuficiente. Segundo ele, o fim dos programas de transferência de renda deixaria uma parcela ainda maior da população em situação de miséria. O secretário-geral enfatizou, no entanto, que o País precisa é de trabalho. A mais importante política social é a geração de trabalho e renda. A política econômica não está voltada para a inclusão, criticou Dom Odilo. Dom Odilo disse que existem lacunas e descompassos no combate a pobreza e as desigualdades sociais no País, ao comentar as políticas sociais do governo. Existem necessidades não devidamente contempladas. O fato é que a superação da pobreza, a geração de emprego, a segurança, tudo isso precisa de nova atenção das políticas públicas, disse o bispo. De acordo com o Dom Odilo Scherer, a realidade do Brasil requer que sejam feitas constantes revisões das políticas sociais do governo. Se ao longo do caminho percebe-se que existem camadas da sociedade que não estão sendo suficientemente atendidas pelas políticas sociais, então é preciso rever, afirmou. Essa preocupação vem da sociedade, com o grande desnível de ricos e pobres que ainda existe e com tantas demandas que ainda não são atendidas de inclusão social, disse o bispo. Viagens do presidente Indagado sobre a agenda de inaugurações e viagens do presidente Lula nesta fase pré-eleitoral, Dom Odilo evitou criticar o comportamento do presidente. Pelo contrário, lembrou que Lula governa o País e não pode deixar de fazê-lo. Lula está no quarto ano de mandato. É para governar e ninguém pode impedi-lo, disse o religioso, acrescentando que o Ministério Público deve fiscalizar para evitar qualquer uso eleitoral da máquina pública. Lula rebateu O presidente ficou aborrecido ao tomar conhecimento de que o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Odilo Sherer, criticara ontem as políticas econômica e social de seu governo. As informações são do Blog de Josias de Souza. Na opinião de Lula, a CNBB deveria considerar o fato de que, a despeito de todas as dificuldades, a pesquisa Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE em novembro, demonstrou que seu governo logrou reduzir a desigualdade entre ricos e pobres no Brasil. Os dados foram depois corroborados pela FGV.