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Presidente da CEF põe cargo a disposição

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| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, encaminhou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva carta colocando seu cargo à disposição. Ele depôs ontem na Polícia Federal, de onde saiu indiciado pelos crimes de violação de sigilo bancário e de sigilo funcional. Mattoso admitiu ter pedido para assessores o extrato do caseiro Francenildo Costa, que desmentiu o ministro Antonio Palocci (Fazenda) na CPI dos Bingos. Depoimento Em seu depoimento à Polícia Federal, Jorge Mattoso, disse que entregou em mãos para o ministro Antonio Palocci (Fazenda) o extrato do caseiro Francenildo Costa. Mattoso saiu como indiciado da Polícia Federal por violação de sigilo funcional. A pena para esse tipo de crime varia de seis meses a dois anos de detenção. O delegado Rodrigo Carneiro Gomes disse que o depoimento de Mattoso foi corajoso, mas de alguém que estava arrasado. Mattoso disse à PF que recebeu a informação que havia uma movimentação atípica na conta de Francenildo. Ele então pediu que se tirasse um extrato da conta. Ao receber o extrato, ele telefonou para Palocci para contar sobre a movimentação bancária de Francenildo. Jorge Mattoso disse à PF que entregou o extrato na casa de Palocci dentro de um envelope. O extrato demonstrava movimentações de R$ 25 mil de janeiro até agora e foi repassado para a revista Época. O nome de Mattoso foi citado ontem no depoimento do consultor especial da presidência da CEF, Ricardo Schumann, que disse à Polícia Federal que entregou o extrato do caseiro para o presidente da instituição. ### LEIA A ÍNTEGRA DO PEDIDO DE DEMISSÃO Na condição de Presidente da Caixa, no pleno e legítimo exercício de minhas funções, tive acesso a informações sobre movimentação atípica em conta de cliente. Cumprindo meus deveres funcionais e sem que isso de forma alguma representasse quebra indevida de sigilo, determinei, a propósito, a adoção das providências previstas na Lei n.º 9613/98, cujas disposições aplicam-se indistintamente a todas as instituições financeiras. Assim agindo, na forma da lei acima mencionada, procurei fazer com que a informação chegasse regularmente ao Coaf, órgão integrante da estrutura do Ministério da Fazenda e que detém competência legal para conhecer e analisar assuntos dessa natureza. Comuniquei, também, o fato à autoridade superior à qual a Caixa encontra-se vinculada. Não fui o responsável pelo vazamento da informação e estou convicto de que nenhum empregado da Caixa deu causa à divulgação indevida, atuando nos estritos limites da legalidade. Entretanto, diante das repercussões desse episódio, visando resguardar imagem institucional da Caixa, entendi por bem colocar meu cargo à disposição do excelentíssimo senhor presidente da República, na certeza de que, ao final, tudo será devidamente esclarecido. ### Reações são diferentes com mudanças ROSE ANE SILVEIRA EPAMINONDAS NETO Folha Online Brasília - O afastamento do ministro Antonio Palocci da Fazenda foi recebido com calma pelo meio empresarial, com raiva pelos políticos da oposição, mas foi aprovado por representantes da sociedade civil. Para o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, a saída do ministro pode ser até melhor para o governo e o País, pois contra Palocci pesam graves acusações - e por isso ele renunciou. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou nota onde afirma que será mantido o diálogo hoje existente [entre governo e entidade] e prevalecerão, sempre, os interesses do Brasil. Sobre a indicação do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, para o cargo, a federação informa que ele desde a presidência do BNDES tem excelente relacionamento com a Fiesp. O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, afirmou que o ministro pediu demissão porque se sentiu enfraquecido com as denúncias envolvendo seu nome e para que a sua permanência não significasse maior turbulência na economia. Para Rigotto, a decisão do ministro foi correta, porque a situação é insustentável. A oposição não aceitou bem a notícia do pedido de afastamento de Palocci, que pode configurar uma manobra para garantir o foro privilegiado de ministro. Para a oposição, o ministro deveria ter pedido demissão e não se afastado do cargo. Se é um afastamento, é mais uma prova de que o ministro está com receio das conseqüências jurídicas do seus atos enquanto prefeito de Ribeirão Preto, disse o presidente nacional do PFL, o senador Jorge Bornhausen (SC). Espero que seja um afastamento definitivo, afirmou o presidente do PFL. Se não for o governo ficou com um ministro fantasma, sem autoridade. As notícias sobre a saída de Antonio Palocci foram desencontradas. A nota oficial divulgada pelo ministério da Fazenda aponta o pedido de afastamento do cargo, o que não é a mesma coisa que exoneração. Com o afastamento, ele manteria o foro privilegiado. Bornhausen avaliou que a queda do ministro foi o coroamento da incompetência do governo Lula. Este é o início da derrocada, afirmou. Para o líder da minoria da Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), a falta de ética neste governo é inacreditável. Para o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), não se trata de um simples afastamento, mas de uma demissão real. Quem derrubou o ministro não foi a oposição. Foi a sociedade, foi o caseiro, afirmou. O caseiro mencionado por Virgílio é Francenildo dos Santos Costa, que trabalhou na mansão do Lago Sul alugada por ex-assessores de Palocci no período em que foi prefeito de Ribeirão Preto.

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