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Cunha d� murro na mesa ao se irritar com deputados

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Brasília ? O anúncio de que o Congresso será convocado, extraordinariamente, em julho, feito pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), aumentou a crise de nervos vivida pelo PT desde o momento em que a bancada do partido começou a ser enquadrada pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu, que exige obediência total ao Palácio do Planalto. Normalmente calmo, Cunha perdeu a cabeça ontem com as críticas de parlamentares do partido ? entre eles os deputados Chico Alencar (RJ), Fernando Gabeira (RJ), João Alfredo (CE), Antônio Carlos Biscaia (RJ), Luiz Couto (PB), Gilmar Machado (MG), Walter Pinheiro (BA) e Doutor Rosinha (PR) ? ao pagamento de salários extras de R$ 25.440,00 para cada um dos 513 deputados e 81 senadores que farão extras em julho. No total, o Legislativo gastará R$ 15,11 milhões com os parlamentares e valor igual com as horas extras dos funcionários públicos. Com murros na mesa do gabinete, o presidente da Câmara ligou para o Palácio do Planalto com o objetivo de dizer que não aceitaria ataques como o dos colegas da legenda contrários ao pagamento das horas extras. Cunha disse ao interlocutor, aparentemente Dirceu: ?A situação é tão absurda, que estou sob bombardeio de Chico Alencar e sou defendido pelo deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Estou para desistir da convocação. O Palácio que a faça?, o presidente da Casa. Ouviram a conversa os deputados Jorge Bittar (PT-RJ), Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP), Henrique Fontana (PT-RS) e Eduardo Campos (PSB-PE). Mais tarde, ao se dirigir a uma apresentação folclórica do Amazonas, Cunha parecia mais calmo. ?Não fui procurado por nenhum deputado, por nenhum líder?, disse. ?Quanto ao pagamento de salários extras, não há dúvida de que não posso suspendê-lo, porque seria ilegal.? Em seguida, reafirmou que haveria a convocação. Ele, entretanto, não se deu por satisfeito. Assim que foi para o plenário presidir a sessão, pegou o microfone e disse que, em nenhum momento, foi definida qual será a forma da convocação extraordinária da Casa em julho - se haverá autoconvocação ou se será feita pelo Poder Executivo. ?A convocação ainda não é oficial?, afirmou.

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