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Ricos ganham 18 vezes mais que pobres no Pa�s, diz IBGE

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Rio de Janeiro ? A Síntese de Indicadores Sociais 2002, divulgada ontem no Rio de Janeiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que os 10% da população mais rica ganha 18 vezes mais que os 40% mais pobres (R$ 2.744,30 contra R$ 149,85), e que o 1% mais rico tem quase a mesma renda dos 50% mais pobres. Segundo o IBGE, metade da população que trabalha no país recebe por mês em média de 0,5 a 2 salários mínimos (entre R$ 120 e R$ 480). O levantamento revela também que, em salários mínimos, a renda média da população caiu em relação a 1999. Os 10% mais ricos tiveram maior perda quantitativa do que dos 40% mais pobres, mas nas perdas qualitativas ocorreu o inverso. O levantamento aponta que em 80% das casas dos 10% mais ricos há saneamento adequado, contra 35,5% verificado nas residências dos 40% mais pobres. Desigualdade racial O IBGE mostra ainda que a melhoria da escolaridade da população negra e parda no Brasil não é suficiente para acabar com a desigualdade racial no mercado de trabalho. Negros e pardos no Brasil têm renda média menor do que a dos brancos, mesmo quando são comparados grupos com o mesmo nível de escolaridade. Os números do IBGE mostram que, quanto mais tempo uma pessoa estuda, maior é seu rendimento médio. Esse acréscimo na renda, no entanto, acontece de maneira diferenciada para brancos, negros e pardos. Um negro ou pardo com até quatro anos de estudos completos (chegou, no máximo, à 4ª série) recebe em média, por cada hora de seu trabalho, R$ 1,5. Um trabalhador branco com essa mesma escolaridade tem rendimento melhor: R$ 2,3 para cada hora trabalhada, ou R$ 0,8 a mais. A diferença a favor dos brancos aumenta em valores absolutos e permanece praticamente inalterada em termos relativos quando se compara a renda de trabalhadores com mais escolaridade. Com nove a 11 anos de estudo, a média de rendimento do trabalhador negro ou pardo é de R$ 3,1 para cada hora do seu trabalho. Entre os brancos, esse rendimento é de R$ 4,4, ou R$ 1,3 a mais. Entre os trabalhadores que conseguem, ao menos, estudar um ano no ensino superior (12 anos ou mais de estudo), negros e pardos ganham em média R$ 8,3 por cada hora do seu trabalho, contra R$ 11,8 dos trabalhadores brancos, uma diferença de R$ 3,5. ?Havia uma idéia de que, quanto mais você aumentasse a escolaridade da população negra ou parda, menor seria a desigualdade em relação aos brancos. Os dados mostram que isso não é verdade e que a desigualdade persiste mesmo entre os mais escolarizados??, afirma a pesquisadora Moema Teixeira, que apresentou ontem os dados do IBGE sobre desigualdade racial. Para o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sergei Soares, autor de um estudo sobre desigualdade racial, os efeitos da discriminação não começam no mercado de trabalho: ?A pergunta que devemos fazer é quando, na vida do indivíduo, ocorreu a discriminação?.

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