Nacional
Lula diz que s� Deus o impedir� de levar o pa�s ao caminho certo
Brasília ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou as divergências do Executivo com o Judiciário ao afirmar ontem, em discurso na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que nem o Legislativo nem o Judiciário o impedirão de levar o País ao rumo certo. O presidente não citou especificamente as reformas da Previdência e tributária, mas a menção aos demais Poderes foi interpretada como uma advertência em relação à aprovação das mudanças, gerando reações imediatas dos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Francisco Fausto. ?A cada dia que passa, a cada dificuldade, eu me sinto o brasileiro mais otimista que este País já teve?, afirmou Lula, completando em seguida: ?Podem ficar certos de que não tem chuva, não tem geada, não tem cara feia, não tem Congresso ou Poder Judiciário. Só Deus será capaz de impedir que a gente faça este País ocupar um lugar de destaque que ele nunca deveria ter deixado de ocupar.? Por meio de nota oficial, o presidente do STF alertou que, embora também torça para que as previsões ?sobrenaturais? de Lula se confirmem, existe uma Constituição que deve ser respeitada. ?Quantos às previsões divinas, eu aguardo até que elas se realizem porque, como o presidente, auguro que o Brasil se coloque em uma posição de tranqüilidade?, diz a nota, em seu início. ?Todavia, no que diz respeito aos demais Poderes, a Constituição deve ser respeitada e, como tal, cada um deles tem seus limites demarcados clara e expressamente.? O presidente do TST disse também louvar o otimismo de Lula, mas afirmou que é preciso ?ficar bem claro que o Judiciário jamais faria qualquer gestão no sentido de impedir que o Brasil ocupe um lugar de destaque no mundo?. A troca de declarações deve azedar ainda mais a crise entre os dois Poderes, provocada pela resistência dos integrantes do Judiciário às mudanças no regime previdenciário. Mas não foi só aos tribunais que Lula se referiu em seu discurso. Veladamente, ele também criticou a reestruturação do Estado brasileiro feita no governo passado e a extinção de órgãos como as Superintendências de Desenvolvimento da Pesca (Sudepe) e do Nordeste (Sudene).