Nacional
Governadores contra mudan�as na reforma da Previd�ncia Social
Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba - O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), alertou ontem para o perigo de um rompimento dos governadores com o governo federal, caso ocorram mudanças no texto das reformas tributária e da Previdência sem que eles sejam consultados. Apesar de mais calmo, depois de conversar com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, por telefone, ele condicionou o atual apoio dos estados às reformas a um entendimento amplo com os governadores. - Estamos abertos a essas propostas de modificação, mas elas não podem ser tomadas nesse instante unilateralmente, sob o risco de rompermos com aquilo de mais importante que nós construímos até agora, que foi a confiança entre o governo federal e os governos de estado - disse Aécio. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse nesta quinta que qualquer mudança na proposta de reforma da Previdência - como a da aposentadoria integral para todos os servidores - dependerá do aval dos governadores. O governador de Minas reclamou que existem hoje muitos porta-vozes do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que os governadores estão sem saber qual foi o compromisso realmente assumido pelo governo ou quais são aquelas manifestações e pressões naturais que existem no Parlamento. Justiça Social O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que os atuais governantes do país têm de ter consciência de que a questão previdenciária extrapola seus mandatos e que ?os objetivos centrais da reforma devem ser mantidos?. Entre estes objetivos, Alckmin citou a justiça social, evitando que trabalhadores de menor renda banquem o sistema em favor daqueles que recebem salários maiores. Ele disse também que é preciso evitar um crescimento explosivo do déficit previdenciário, o que poderia levar, no futuro, ao não pagamento desses benefícios. Já o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), afirmou por meio de sua assessoria que pelo que sabe não há nenhum novo acordo em relação a reforma da Previdência. No entendimento de Requião, a questão ainda está no âmbito do debate e, portanto, sem propostas definitivas. Requião se posicionou contra a proposta de manutenção da aposentadoria integral, mesmo que mantidas as exigências de tempo de idade e serviço.