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Reforma: governo tenta nova proposta comum

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Santos - Após a reação negativa dos governadores às mudanças no projeto de reforma da Previdência, o Palácio do Planalto vai tentar na próxima terça-feira consertar o estrago e restabelecer o consenso com os Estados sobre o tema. Para tentar construir uma nova proposta comum, o governo convocou para esse dia uma reunião em Brasília com a participação de ministros, dos cinco governadores da comissão representante dos Estados nas negociações, dos líderes governistas no Congresso e dos relatores das reformas previdenciária e tributária. A informação foi dada em Santos (SP) pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Segundo ele, a reunião foi acertada depois de contatos que manteve por telefonecom o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), com os ministros Ricardo Berzoini (Previdência) e Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica) e com o presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP). ?O presidente Lula acabou de me reafirmar que está disposto a aceitar mudanças desde que os princípios que nortearam a proposta do governo não sejam abalados. Quais são? Não pode haver privilégios, tem de valer para todos os servidores públicos, restabelecer a justiça social e fazer uma Previdência com viabilidade atuarial e auto-sustentável?, declarou. Indagado pela Agência Folha, o ministro negou que a inclusão da reforma tributária na nova etapa de negociação com os Estados tenha por objetivo obter concessões e barganhar apoio dos governadores ao novo formato da reforma da Previdência. ?Os governadores não vão fazer concessão na reforma da Previdência porque a situação dos Estados não permite isso?, afirmou Dirceu, para quem o acordo em torno da reforma tributária será mais simples porque a pauta ?está bastante acertada?. Dirceu esteve em Santos para participar de um seminário sobre o porto local, o maior do país e responsável por 25% do fluxo comercial brasileiro com o exterior. ?Balão de ensaio? A negociação do governo com deputados e setores do Judiciário não surtiu efeito na greve do funcionalismo federal, que teve início na terça-feira. Os grevistas avaliam que, em vez de enfraquecer, o acordo pode fortalecer a paralisação por tempo indeterminado. As intenções do governo em fazer alterações foram vistas como ?balão de ensaio? e ?acenos? pelos servidores, conforme nota oficial divulgada anteontem. A greve é comandada pela Cnesf (Coordenação Nacional de Entidades de Servidores Federais), composta por 11 entidades sindicais. A Folha ouviu ontem todos os líderes e constatou que o recuo do governo em relação à integralidade da aposentadoria e paridade entre ativos e inativos só deve fortalecer o movimento de greve.

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