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Congresso n�o pretende brigar com o Judici�rio
O aviso do governo, de que havia chegado ao limite da negociação, não durou mais do que 24 horas. O Congresso vai alterar a reforma da Previdência para não comprar uma briga com o Judiciário. Parlamentares, a maioria da base de apoio ao Planalto, anunciam que vão elevar o subteto de juízes e desembargadores estaduais para 90,25% do salário de ministro do Supremo Tribunal Federal. - O subteto de 75% ficou muito achatado. Isso cria um desequilíbrio entre o salário dos desembargadores e o dos juízes federais - criticou o líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson. O vice-líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldmann (SP), integrante da Comissão Especial de Reforma da Previdência, avalia que o subteto não passa pelo Congresso sem alterações. Chega a desconfiar de que o governo tenha colocado o tema no texto como um ??bode?? - expressão utilizada para definir pontos colocados em negociações para serem retirados mais tarde. - O Planalto agiu assim para que os governadores pensem que o Congresso quis retirar a proposta - acusou o tucano. Um deputado ligado ao Planalto e especialista em Previdência admite que a elevação do subteto não será problema, pois os cálculos mostram que o impacto não será tão grande. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou diminuir o subteto atendendo à pressão dos governadores. Mas um líder partidário garante que o afago poderá ser feito atendendo a algumas reivindicações dos administradores estaduais na reforma tributária. O líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (PT-BA), participou das reuniões no Palácio da Alvorada e no gabinete do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Não acredita em alterações substanciais no relatório a ser votado na Comissão Especial. - Os juízes estão reivindicando uma coisa que o governo e os governadores consideram impossível atender - alegou Pellegrino. As viúvas também devem se beneficiar. O PFL está disposto a mudar o critério segundo o qual as pensões acima de R$ 1.058 terão redutor de até 70%. - Essa é uma questão grave. Num cenário de recessão econômica, é injusto taxar alguém que não é o beneficiário direto do sistema - justificou um dos vice-líderes do partido na Câmara, Rodrigo Maia (RJ). O PSB va se reunir na próxima semana para analisar as mudanças no relatório apresentado. De acordo com o deputado Renato Casagrande (PSB-ES), o partido deve investir na elevação do teto de aposentadoria de R$ 2.400 para R$ 3.600. Quer ainda que os fundos de previdência complementar sejam regidos por uma instituição pública.