Nacional
Manifesta��o contra reforma da Previd�ncia termina em tumulto
Brasília ? A marcha promovida ontem contra a reforma Previdência acabou em tumulto e vandalismo. Manifestantes ligados à União Nacional dos Estudantes (UNE) e ao PSTU quebraram quase todas as vidraças do Salão Negro da Câmara ? ao todo 195 vidros, de acordo com assessoria de imprensa da Presidência da Câmara ? e pelo menos cinco pessoas ficaram feridas levemente. Dois ativistas foram detidos, mas liberados em seguida. A marcha transcorreu sem incidentes até as 14 horas, quando os manifestantes, depois de uma passeata pela Esplanada dos Ministérios, deixaram a Praça dos Três Poderes, onde fizeram um ato em desagravo à senadora Heloísa Helena (PT-AL). Enquanto grevistas mais velhos tratavam de ir para os acampamentos montados na Esplanada, jovens militantes, incentivados pela organização do protesto, subiram na parte superior do Congresso, abraçaram as duas cúpulas que simbolizam o prédio do Legislativo e exibiram uma bandeira do PT. A situação saiu do controle a partir do momento em que os organizadores do ato pediram aos policiais que deixassem os manifestantes subirem na laje do prédio, onde ficaram por pouco tempo até descerem a rampa, sem que a Polícia Militar (PM) pudesse contê-los. ?Eles atropelaram o policiamento em cima do Congresso?, disse o comandante da operação de segurança, coronel Hellen Rocha Filho. Cerca de cem militantes da UNE e do PSTU enfrentaram os seguranças da Câmara e os poucos PMs que conseguiram descer a rampa. Depois de várias agressões entre os dois lados, os manifestantes conseguiram chegar em frente ao Salão Negro da Casa, depois de jogarem três seguranças de uma altura de quase dois metros. Armados com paus de bandeira, pedras e até a tampa de ferro de um bueiro, eles começaram a quebrar as vidraças. ?Um dos vândalos se jogou contra o vidro?, contou o tenente-coronel Antônio Cerqueira, que ajudava no comando do policiamento. Novas ameaças Durante o ato, o sindicalista Adriano Gomes da Silva, funcionário dos Correios em Guarulhos (SP), e uma estudante de Curitiba identificada apenas como Francilene ajudaram a quebrar as vidraças e ficaram feridos. Depois de atendidos pelo serviço médico da Casa, foram presos por seguranças do Legislativo. Pouco depois, por interferência de parlamentares, acabaram liberados. Do lado de fora do prédio, diversos outros grevistas gritavam palavras de ordem e ameaçavam nova invasão caso o casal não fosse libertado. Apesar do tumulto e do vandalismo, a PM considerou que a manifestação foi tranqüila. ?Tudo ocorreu dentro do que havíamos planejado?, disse o coronel Cerqueira. A Central dos Servidores Públicos (CSP) afirmou em nota distribuída no final da manifestação que nenhum de seus filiados participaram do ato. A Polícia Militar calculou em 45 mil o número de participantes na marcha, que terminou por volta das 16 horas, pouco antes da sessão da Câmara que iria votar os destaques ao projeto da reforma. Considerada a maior manifestação dos primeiros seis meses do governo Lula, a marcha de hoje teve suas peculiaridades. Chamara a atenção o contraste em meio aos ativistas. Enquanto Ricardo de Oliveira, de 26 anos, usava bermuda jeans e uma camiseta surrada do PT, o auditor da Receita Federal aposentado José Carlos usava terno. Além do consumo de cerveja, comum nos protestos realizados em Brasília, alguns grevistas fumaram maconha a poucos metros do Ministério da Justiça e atrás do principal caminhão de som, onde vários políticos faziam discursos já no final da marcha.