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Foram 10 horas de vota��o em plen�rio

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Brasília ? Foi uma maratona de quase dez horas ininterruptas de negociações políticas, manobras de plenário, protestos ruidosos e humor nervoso, típico dos momentos de cansaço coletivo. A votação da reforma da Previdência na Câmara estendeu-se até às 4 horas de ontem e, para driblar o sono, os deputados circulavam entre a sala do café, o plenário e a sala de televisão, onde a atração que reuniu mais espectadores foi o jogo entre Vasco e Goiás. No fim, exaustos, os parlamentares suplicaram para que o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), suspendesse os trabalhos. ?Estou invocando a minha condição de aleijado para que o sr. encerre a sessão!?, berrou, ao microfone, o deputado Leonardo Matos (PV-MG), que é paraplégico e se movimenta em cadeira de rodas. ?Não agüento mais!? A balbúrdia foi a marca da sessão, que teve um único momento de silêncio: o minuto de pesar pela morte do jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, ontem (06), de edema pulmonar. A deputada Luciana Genro (PT-RS) ensaiou um protesto contra a homenagem, mas foi contida pelos colegas. Apesar das rivalidades políticas e da tensão aparente dos líderes da base aliada, o clima foi de confraternização entre os parlamentares, que, em alguns momentos, mais pareciam estudantes em sala de aula, tal era a farra. A demora de João Paulo em abrir o painel com o resultado da votação dos inativos levou os deputados a gritar em coro, por duas vezes, uma contagem regressiva. Na caça do voto a voto, o presidente da Câmara esperou por 25 minutos que o ex-governador Miguel Arraes (PSB-PE) e o deputado Robson Tuma (PFL-SP) aparecessem para votar. Tuma veio, mas Arraes não. Enquanto aguardavam a chegada dos atrasados, alguns deputados declararam ao microfone que estavam votando pela taxação do inativos a pedido dos governadores. ?Voto sim atendendo o pedido do meu governador Marconi Perillo (PSDB)?, alegou a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO), debaixo das vaias de parlamentares. Outro que também tentou justificar o voto e foi vaiado foi o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).

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