Nacional
Governo cochila e vota��o de tribut�ria � adiada
Brasília ? O governo cochilou, falhou na coordenação política e deu ontem o primeiro tropeço na tramitação da reforma tributária. A votação do relatório do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) na comissão especial da Câmara foi suspensa depois de uma manobra da oposição para esvaziar a sessão. O calendário da reforma só foi salvo porque, depois de uma negociação com os líderes oposicionistas, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), conseguiu articular uma nova reunião da comissão para hoje. Os parlamentares do PFL e do PSDB, entretanto, não desistiram da estratégia de obstrução da votação. O objetivo é adiar a decisão para a próxima semana, com tempo de organizar uma caravana de prefeitos a Brasília. Se isso não for possível, o protesto se dará no dia da votação em plenário. ?O mais importante é que foi restabelecido o ambiente de diálogo com a oposição?, disse, no meio da tarde, o líder do governo no Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), depois de os governistas terem ameaçado até mesmo renunciar aos postos na comissão para forçar a remessa do relatório diretamente ao plenário. A confusão toda iniciou às 9 horas, horário previsto para o início da sessão. Os oposicionistas chegaram cedo, mas não assinaram a lista de presença e aproveitaram o atraso de vários governistas para pedir a verificação de quórum 30 minutos depois. Como apenas 15 deputados, cinco a menos do que os 50% necessários à instalação da reunião, haviam assinalado presença, a oposição avocou o regimento da Câmara para pedir a suspensão da sessão. O presidente da comissão, deputado Mussa Demes (PFL-PI), ele próprio presente sem assinar a lista até aquele momento, decidiu cancelar a reunião, provocando uma reação indignada dos governistas. Com dedo em riste, o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (SP), avançou em direção ao deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) e a Demes, acusando-os de ?traição? e ?golpe?. Ditadura ?Esse tipo de golpe rasteiro é coisa da ditadura militar?, esbravejava o deputado Carlito Merss (PT-SC), enquanto Demes deixava a sala escoltado por pefelistas. ?Eu segui o regimento. Não posso esperar para começar a sessão quando tem quórum?, explicou-se o presidente. ?A minha postura foi de presidente e magistrado, não foi partidária.? Vibrando com o sucesso da manobra, os pefelistas ironizaram o cochilo dos adversários. ?Há uma norma que diz que o Direito não socorre os que dormem, e os deputados da base aliada dormiram muito. Talvez, estivessem muito confiantes no rolo compressor?, afirmou Pauderney Avelino (PFL-AM). ?A nossa vantagem é que acordamos cedo e não compramos relógio na feira do Paraguai?, disse o líder José Carlos Aleluia (BA). Apesar dos protestos, os governistas reconheceram o vacilo. Alguns caíram até mesmo em ?pegadinhas?, como a deputada Vanessa Graziottin (PC do B-AM), que foi atraída para uma conversa com o tucano Eduardo Paes (RJ) e esqueceu de assinar a presença. ?Houve uma falha grave nossa, mas não é o fim do mundo. Mandei comprar 20 despertadores para dar para o nosso pessoal?, admitiu, bem-humorado, o deputado Paulo Bernardo (PT-PR). Apesar do susto, os governistas estão confiantes na vitória hoje, pois têm 27 dos 38 votos da comissão. A dificuldade para atingir o quórum, entretanto, é que vários parlamentares viajaram para seus Estados antes de saberem da reunião extraordinária. Para contornar esse problema, os partidos aliados estão substituindo vários dos seus membros da comissão. Só no PT, já foram quatro substituições.