Nacional
Ministro descarta sabotagem em Alc�ntara
Brasília ? O ministro da Defesa, José Viegas, afastou ontem a possibilidade de que o acidente ocorrido na última sexta-feira na Base da Alcântara, tenha sido motivado por uma sabotagem, embora o governo ainda não descarte qualquer possibilidade até a conclusão das investigações. O acidente provocou a morte de 21 trabalhadores do CTA (Centro Técnico Aeroespacial). ?É natural que uma investigação se preocupe com um espectro amplo de possíveis causas, de maneira que eu não posso excluir cabalmente nenhuma hipóteses?, disse ao completar que não se está ?dando relevo à possibilidade de sabotagem. Esta não é uma investigação que tenha nenhum motivo específico para ser feita. Apenas não podemos descartar antes de termos consciência de qual a causa do acidente nenhuma possibilidade?, disse o ministro. Com base no monitoramento do espectro na região da Base de Alcântara, que vinha sendo feito pela Força Aérea Brasileira, o ministro assegurou que ?não houve emissão de sinais eletromagnéticos vindos do espaço que tenham deflagrado a explosão?. Segundo Viegas, o monitoramento é uma precaução obrigatória que faz parte das medidas de segurança. Ele disse, no entanto, que ondas eletromagnéticas teriam potencial para provocar um curto-circuito, embora essa fosse uma situação improvável. O ministro da Defesa também classificou de ?precipitado e injusto? atribuir à falta de recursos para o programa espacial brasileiro a responsabilidade pelo acidente ocorrido na Base de Alcântara na última sexta-feira. ?O fato de nós havermos projetado o lançamento que seria realizado hoje (ontem) significa que estes recursos eram considerados suficientes para procedermos em segurança?, disse. De acordo com o ministro, ninguém tem ainda condições de determinar que falha ocorreu e qual a razão do acidente. Para ele, ?é absolutamente precipitado? dizer que ele é decorrente da insuficiência de recursos, mesmo porque, segundo Viegas, ?as próprias pessoas envolvidas na missão não alertaram quanto a que os recursos fossem insuficientes para que o lançamento fosse feito?. Descarga elétrica O incêndio que destruiu o VLS-1 (Veículo Lançador de Satélite) teve início com a ignição espontânea de um dos quatro motores do foguete, segundo o major brigadeiro Tiago Ribeiro, diretor do CTA (Centro Técnico Aeroespacial). O engenheiro Mauro Tolinky, vice-diretor de espaço do IEA (Instituto de Aeronáutica e Espaço) de São José dos Campos (SP), explicou que o acionamento pode ter ocorrido por uma descarga elétrica ou pelo toque de uma peça metálica no reservatório de combustível. Mesmo assim, Tolinky disse que a comissão de investigação não descarta nenhuma hipotese. Ribeiro recebeu a imprensa na base de Alcântara pela primeira vez, ontem, três dias depois do acidente. Durante a conversa com os repórteres, informou que a comissão de investigação deve concentrar seu trabalho em determinar as causas da ignição espontânea. Até o final da tarde de ontem, tinham sido identificados no IML de São Luís (MA), por meio de exames de arcada dentária, os corpos de Tadashi Seguchi, José Eduardo Pereira II, Antonio Sérgio Cezarini, Eliseu Reinaldo Moraes Vieira, Rodolfo Donizetti de Oliveira e Sidney Aparecido de Moraes. No domingo, o IML havia confirmado a identificação de César Augusto Costalonga Varejão, em que teria contribuído a altura do corpo: 1,94 m. Agora o órgão voltou atrás e não confirma oficialmente a identificação do engenheiro. A comissão tem 30 dias para concluir o seu trabalho mas esse prazo pode ser prorrogado. Segundo o major Tiago Ribeiro o transporte dos corpos das 21 vítimas do incêndio para São José dos Campos deve ocorrer até a tarde de hoje em avião da Força Aérea.